Amo-te depois, está bem?!

Serei eu o meu próprio espelho da imagem de ti?




















- Amo-te depois, está bem?!
- Depois?! Não, não está bem!
- Mas... agora não tenho tempo pra ti... preciso de respirar vida, trabalhar, divertir-me... não perder tempo desnecessário com nada nem com ninguém, entendes?!
- Não, não entendo!
- Então é assim - se agora perder tempo contigo, não vou poder dar-te nada mais tarde...!
- E falas de quê mesmo?
- Sei lá... de atenção, carinho, amor, presentes, dinheiro... sei lá, uma infinidade de coisas. Mas só faz sentido pra mim se for depois. E mais, quando eu quero e posso... e também quando me convém, claro!
- Ah, entendo...!
- Entendes mesmo?! Que bom! Nem sabes como me sinto aliviado por entenderes!
- Pois... mas não percebeste pois não?!
- O quê...? Não percebi o quê exactamente?
- Não percebeste que entre o meu entender e o meu querer ou aceitar essa tua forma de gostar de mim, há um abismo que nos pode aniquilar aos dois.
- Hem?! Agora não percebo eu...!
- Eu explico! Explico hoje o que nunca soubeste entender nos meus actos, sorrisos, lágrimas, brincadeiras ou até na rispidez ou agressividade de uma palavra ou um gesto; explico hoje o que te irá acontecer amanhã por só me quereres amar sempre depois e dessa tua maneira; explico hoje que te amei desde o meu primeiro abrir de olhos naquele dia e que vi o teu rosto - apaixonei-me por ti nesse instante! Amei-te de várias formas e sem medida possível de se imaginar! Ainda te procuro e tento encontrar no outro lado das pessoas, mas de nada me serve porque, se já nem és inteiro dentro de ti, como poderás tu estar completo em algum lugar?! Nem imaginas como quis que me tivesses amado todos os dias como te amei a ti com e sem dor, ali, naquele agora que ficou para depois. 
Não, meu Amor Especial! Não quero que me ames depois, quando tiveres tempo e por um acaso te lembrares de mim! Já não quero! É que nesse teu tempo livre para me amar, eu já não estarei aqui onde me vês agora! Não será por falta de amor a ti, mas sim, porque ainda acredito que então, já terei aprendido a amar muito mais a mim num agora, onde não cabe a distância de um tempo indefinido na espera do teu amor inteiro só pra mim!
- Então... e agora?
- Agora... quero voltar àquele minuto em que fui a "tua pequenina" e, deixas-me caminhar...!






Para o meu Amor Especial que só soube "amar-me depois"...! Também eu já estou num futuro impossível de alguém chegar a tempo de me parar. Ainda assim, sonho com a magia de que ainda caminho no sentido de lhe fazer desaparecer a dúvida de que é e será sempre importante em toda a minha "vida terrena e inter-galáctica". Mas sim, tenho o defeito de só saber "amar no agora" que preenche o meu passado, o presente e o futuro.


22 Agosto 2017
Alda Silvestre


Photos - Porto 2014 - also by me ;-)


Alda's translation arriving soon... in about 6 months! :-)


"E Você? Quantas molas já perdeu?" Eu cá já perdi as molas todas...!

                                                           Photo by Alda Silvestre


Há largos meses que vejo fotos da Dânia Neto pelas montras das farmácias da zona Oeste. Imagino que também deve estar em muitas mais por este País fora.
Antecipo que não estou a fazer qualquer publicidade ao produto mas acho muito bem que estas fotos apareçam em farmácias para que assim, qualquer dor de cabeça masculina ou dor de cotovelo feminino que eventualmente se manifeste em qualquer pessoa que as veja... já se encontra no sítio certo para adquirir um paracetamol ou uma pomada deveras eficaz que atenue a dor de cabeça ou a dor articular no meio do braço.
Por falar nisso, a braços com uma pequena dieta e estruturação abdominal ando eu há cerca de três anos mas pronto... confesso que por pouca motivação, pouca paciência, não muita tolerância à dor e outros afins que não são para aqui chamados, ainda não tenho uma... saia igual à dela!

Ía eu a subir a Rua da Praça da Fruta, quando vi uma foto idêntica na montra e, mediante a pergunta lá inscrita - "E você quantas molas já perdeu?" - de imediato obtive a resposta do meu "sininho" - "desculpa lá minha querida mas tu já perdeste as molas todas!". No mesmo instante perguntei-me se seriam as molas da saia, da roupa ou as do cérebro... mas isso não será o mais importante, certo?! Certo! Na verdade o que realmente importa será sempre, não descurarmos a nossa imagem nem deixar de cuidar de nós com mimo, quer sejamos magras, gordas, baixinhas, "compridas" - como dizia uma vizinha da minha mãe - ou perfeitamente normais - mediante o conceito de "beleza normal" de cada um, claro! 

Naquele momento não consegui tirar foto porque ía a conduzir. Fiquei com isto na cabeça e voltei lá uma semana depois, em modo pedestre, para tirar a desejada foto para este post. Mais uma vez a vida diária me ensinou o velho ditado - "não deixes para amanhã o que podes fazer hoje" - o cartaz já tinha  sido retirado da montra... cheguei ao cúmulo de lá ir dentro perguntar porquê ou se eventualmente eles o teriam guardado e que eu o pudesse fotografar? Não estava! O senhor que me atendeu ficou de olhos arregalados com um ar de quem na realidade pensou que não seria bem do cartaz que eu estaria a precisar... mas fui educadinha, disse obrigada e saí!
Por sorte, voltei a cruzar-me com as fotos da Dânia Neto numa outra farmácia bem mais longe de mim, mas já não deixei passar a oportunidade de lhe fotografar as molas sem estendal. Por acaso uma senhora passou por mim aquando do sucedido e virou-se duas vezes para trás acenando a cabeça em reprovação. Deve ter pensado - "coitada... vê-se cada coisa neste mundo...!" 

                                                                             Photo by Alda Silvestre


Na verdade, quando digo que perdi as molas todas é porque após um período de stress elevado e de ter ficado excessivamente magra, à posteriori e logo de seguida engordei oito quilos em dois meses.  Nunca me tinha acontecido e confesso que além de alarmada, não consegui adaptar-me "em tempo real" a este meu novo peso. Daí ter pensado que mesmo que tentasse colocar molas na minha cintura, elas saltariam de imediato tipo pipocas ao lume. Ainda não desisti da luta, mas recuso-me a sofrer que nem uma condenada para validar o outro velho slogan de "beleza a quanto obrigas?"! No way!

Quanto à nova pergunta que aparece nos flyers - "a quantas molas estás do teu Verão ideal?", só me surge responder - "estou a quantas molas forem necessárias para manter a minha roupa de Verão bem  pendurada, seca e arejada! Pois, porque com tanto calor, é a única coisa que me acontece assim mesmo 'rapid'!" 

                                                                               Photo by Alda Silvestre


- "E você? Quantas molas já perdeu?"
- Eu cá já perdi mesmo as molas todas!!! Ou será que não...?! Ainda bem que tenho algumas homónimas penduradas por aí...! :-)


Foto tirada há mais de 3 anos e cedida pela aniversariante LC (obrigada às duas Belezas - LC e EL - pela autorização!)


Sabem que mais?! Cuidem-se sim o melhor possível para serem muito saudáveis e ficarem todos pessoas  muito giras - é importante, sim! -  mas não tenham dúvidas de que o que faz as pessoas mesmo lindas em todas as suas formas é apenas a quantidade e qualidade dos momentos de felicidade de cada dia! Sem isso, não há "corpo fit" que aguente o turbilhão e a rapidez da vida.


Agora, "vou ali a correr viver e já volto!"
Pelo meio, tentarei arranjar uns truques de vida saudável! Prometo que no caso de perder uma ou duas molas na saia, venho aqui dizer qual foi o segredo! ;-)



Frase inventada pelo meu neurónio para justificar a urgência e necessidade do momento em fugir na direcção da vida. A quem a "ofereci", reparou no pormenor e decidiu transformá-la em algo importante. Obrigada prima Renata Paulo - espero estar à altura do "retorno" da tua Arte!!!




[Só um aparte - já sei que sou suspeita em termos de arte mas também admiro muito o trabalho da Dânia Neto - talvez ainda este século consiga ter a honra e fazer a proeza de a "entrevistar à minha maneira" tal como os Xutos & Pontapés cantam! Mas sim, claro que antes estarão os amigos, familiares e conhecidos mais próximos tal como "tu, tu e tu..." - vocês sabem quem são!]




3 de Agosto 2017
Alda Silvestre






Mensagem de Um Sol: Protege-me de ti...porque as Árvores não se repetem


                                                                         Photo by Alda Silvestre


" Oh bicharada esta do camandro...  fogo! Ai, fogo não - enganei-me na palavra! Desculpem lá!
Tanto acordo e negociação que fiz com as nuvens para apagar os vossos fogos e agora voltam a reclamar - 'ai tanta chuva!'. Tanta chuva??! Juro que não vos percebo!
Também gosto de andar por aí a exibir-me a todos os planetas que sou forte, incandescente e luminoso, mas decidi recolher-me e esconder-me por uns dias da Terra para vos dar uma trégua à vossa auto-destruição. Que pobres e mal agradecidos me saíram!
Segundo me parece e do que posso espreitar daqui, acabaram-se os fogos - verdade?! Então?? Agora reclamam de quê?? Da chuva?! Coitadas das nuvens - apagam-vos os fogos, ajudam-vos na rega dos terrenos de cultivo... e vocês reclamam. O que querem mais? Não há mesmo quem vos ature e vos entenda!
Porventura já imaginaram como me sinto quando tudo arde? A asfixia que é destruir todo o fumo que me obrigam a engolir? Ano após ano, repetem sempre o mesmo... e não digam que é do calor excessivo e da alteração climática, porque não é! Há muitas décadas, os países e os continentes não ardiam anualmente só porque estava calor...!



                        Photo by Alda Silvestre - Caldas da Rainha 


Desde que inventaram a riqueza do dinheiro com e sem árvores, é que vocês ficaram malucos - ou plantam ou ardem para enriquecer...! Imaginem só que até conseguem chegar à alucinação e demência extrema de simplesmente atearem fogo, apenas porque gostam de "ver arder e sentir a adrenalina de ver os coitados dos bombeiros em acção"...! Ora, para vocês suas pobres almas doentias, atrevo-me a dizer que o que eles fazem não é estar "em acção" mas sim a colocar a própria vida em risco em prol da vossa por exemplo que, no momento do "ataque mental", na verdade não vale nem um galho seco. Mas que "estranha forma de vida"...!?!
Vejo daqui que poucos são os que plantam só para enriquecer a Terra e sem segundas intenções. 
Talvez sejam poucos também os que cuidam das áreas circundantes das árvores e respeitam normas de protecção dos terrenos envolventes.
Menos ainda são os que a defendem e por causa disso arriscam-se a perder a própria vida na crença absoluta de que conseguem salvar o planeta. Mas agradeço a todos quantos querem manter e proteger a natureza o mais possível!



 
Photos by Alda Silvestre


Aos outros... só tenho uma coisa a dizer - Eu, a Terra, a Lua, as Estrelas e tudo o que faz parte deste cosmos mais ou menos organizado, vamos existir e transformar-nos para sempre no infinito. Vocês - a bicharada do catano -  é que acaba em menos de um milésimo da nossa existência.
Nem imaginam como andei zangado convosco este ano! Confesso que houve dias em que só não me viram as lágrimas porque elas secam assim que me saem da alma tal é a intensidade do calor. Costumo ouvir-vos dizer "os Homens não choram".. e pensei: "que bom que é não ser feito de Homem; que bom ainda existirem na Terra bicharocos que choram e que lutam...!"
Ainda acredito que alguns de vocês vão inventar um tecto protector que me abrigue deste ar irrespirável que me asfixia em cada Verão. Assim, tipo uma casinha onde eu possa esconder-me lá dentro, abrigar-me e proteger-me até o pior passar. Sabem?! Aquele pior do fogo que vocês me dão, tudo varre, muitos mata e, depois ninguém foi, ninguém viu e ninguém sabe de onde vem!
Há dias em que fico tão triste e desapontado que me apetecia apagar-me de vez! Para sempre... deixar-vos na escuridão! Para o resto das vossas vidas... seriam muito curtas decerto!
Mas depois... acho que seria uma injustiça da minha parte para os outros seres que não têm culpa nenhuma das alucinações esquizófrenicas de alguns.
Gosto de os ver por aí felizes nas suas lutas diárias de sobrevivência e gratos por cada dia de vida simples. São só esses que me fazem sentir válido a cada amanhecer que vos ofereço!

















                                                                                                     
Ainda me questiono como é que vocês podem ser tão estúpidos??? Ralham e castigam os vossos descendentes porque fazem disparates e coisas parvas... E vocês?? Já pararam para pensar na gigantesca gravidade dos vossos disparates??? Estúpidos!!! São completamente ignorantes e infelizmente, alguns de vós são apenas e só uns criminosos de mentes vazias e retorcidas sem emenda nem merecedores de qualquer tipo de perdão! Estou tão, mas tão zangado! Nem imaginam...!!!

Ai que escândalo, vejam bem - ofendidinhos porque vos chamo de criminosos e vazios... sim, vazios e cheios de nada! Quem são vocês, afinal?
Querem amanhecer com dias saudáveis e cintilantes e sem dó nem piedade, asfixiam-me com a cinza de todas as árvores que ajudei a crescer... Pois, na verdade não fico só triste - fico zangado também! Já viram bem a dimensão de áreas negras que deixam cravadas no planeta???
Agora, já nem vos posso dizer se vale a pena irem a correr plantar muitas árvores... só porque na verdade elas são iguais ao Homem - não se repetem nunca mais! E se ainda não perceberam, deixem-me dizer-vos que também são insubstituíveis!
Eu só queria tê-las todas de volta!!! Quero porque quero e porque gosto delas e também porque me fazem falta para vos dar oxigénio, alimento e vida em retorno... aquela vida que a maior parte de vós já não merece! Que vergonha!
Destruir e arder a própria casa é o mesmo que matarem os próprios filhos... ou será que não percebem isso de uma vez por todas?! Não percebem que acabam convosco um pouco mais todos os anos?
Amanhã talvez... ou ontem, ou antes de ontem, ou na semana passada... tal como acabou para algumas jovens vidas junto das suas queridas árvores... tão triste... terem de as defender ate à morte! E o pior dos piores é que de pouco lhes serviu o sacrifício...

Irei ouvir-vos falar deles com pesar... mas sei que será apenas por alguns dias, meses talvez! Depois, amanhã, no próximo ano... repetir-se-á tudo de novo - lamento tanto por eles, pelos pais, avós, filhos, irmãos, amigos... quando o seu único crime foi amar as árvores e acreditarem que conseguiriam salvar o mundo... e morreram sem conseguirem salvar a si mesmos.
É precisamente nesse "depois" que aos poucos, os progenitores e descendentes desses "seres maiores"  vão morrendo de uma dor chamada saudade, aqueles que ficaram mais pobres... sem árvores, sem casas e sem as vidas dos que mais amam.
Afinal, alguns de vós ainda são bons... que pena é já não saber ou conseguir distinguir-vos daqui -  parecem-me todos iguais e cinzentos.
Gostava muito que pudessem parar só um bocadinho... para que possam viver um pouco mais num caminho mais certo.


                                                 Parque D. Carlos I - Caldas da Rainha (Photo by Alda Silvestre)


Há pouco, numa pequena fresta de céu limpo consegui ver aí em baixo alguém que chorava encostado numa das minhas árvores - os filhos, os pais e amigos de alguém... trouxeram-lhe o coração para junto das Estrelas e agora, já não podem voltar para lho devolver. Nunca mais!
Tal como as árvores, as vidas não se repetem."

Vou descansar um bocadinho, fechar os olhos e esperar em vão de que amanhã, alguém conseguiu fazer um milagre...!
Cumprimentos,
Sol"



Ps. Já agora, um grande OBRIGADO a TODOS os que ainda amam as Árvores e lutam por elas da mesma forma como lutam pela vida - a deles e a dos outros! Aliás, é ao contrário - lutam primeiro pela dos outros e depois pela deles.



[Este Post foi escrito há cerca de 2 anos, num dia de chuva intensa de fim de Verão em que só ouvia pessoas a reclamar da chuva. A intenção seria apenas alertar de que é urgente fazer algo eficaz em cada ano, para evitar que os fogos se propaguem de forma desmedida e de cada vez que "acontecem". A grande e desgastada palavra "prevenção" - com tudo o que ela engloba - é na verdade a solução pra este flagelo! 
Não podemos achar normal ou habituarmo-nos a adormecer tarde e acordar cedo com notícias e imagens terríveis de fogos gigantescos junto de habitações onde algumas são a única riqueza material de uma vida inteira ou, a devorar áreas completamente inacreditáveis num país do tamanho do nosso! Atrevo-me até a dizer de um planeta do tamanho do nosso e, que por acaso é o único que temos para existir! Como é possível ouvirmos dizer que num mesmo dia existem centenas de focos de incêndio?! Centenas??? Milhares de "homens mobilizados para o terreno"?! Isto não é de todo normal!!!

Infelizmente, o que eu penso ou o que milhões de pessoas pensam e sentem por esse mundo, não faz qualquer diferença aos "culpados" das calamidades atrozes e perdas irreparáveis sucedidas no passado mês de Junho de 2017 no nosso País - e que infelizmente continua - bem como qualquer fogo que transforme em cinza, áreas gigantescas ardidas no planeta e queime num ápice todos os animais indefesos - racionais e irracionais.
Este texto perdido nos confins do meu blog e do meu cérebro, só fará sentido existir se, por acaso, conseguir poupar uma vida ou uma árvore que seja ou ainda, remediar uma ínfima porção de terra com o acto de dar vida a mais um "ser verde" no planeta.
Depois de tanto... ainda não me tinha pronunciado sobre nada disto. Houve dias em que, quem comigo comentou a desgraça, deve ter pensado - "mas que frieza que ela tem na alma...!"
Pois... mas como nem tudo o que parece é, confesso que após ver as formas físicas de quem sucumbiu ao terror e as imagens que me deixaram temporariamente sem conseguir sequer falar sobre o assunto, bem como perceber a falta que essas vidas fazem e farão para sempre enquanto outras vidas existirem... fizeram com que me emocionasse por ter a sorte de estar viva sem destino e me sentir tão ridícula com as minhas dores apenas porque há dias em que nada disto faz sentido - estamos vivos todos os dias por mero acaso e também morremos todos os dias "porque tem de ser" e, em muitas das vezes, de forma antecipada, por estupidez pessoal ou alheia.

Muito há ainda por falar sobre este assunto mas, aos reais afectados, já nem a eventual "justiça monetária" que possa vir a ser feita, servirá de arranjo ou consolo da alma ou do coração. Talvez valorizem mais quem do pouco tempo e poucas condições fez muito para lhes ofertar - bem haja a todos os intervenientes nesta e noutras causas de vida idênticas! 
De qualquer forma, costumo dizer que o resto do pior vem muito depois das calamidades sucedidas - desculpem se vos desiludo ou pareço pouco positiva mas é a verdade de uma realidade que só quem a atravessa sabe confirmar. Mas sim, não tenho dúvida de que no futuro, irão existir histórias de vida maravilhosas desencadeadas por estes dias de terror... no entanto, ficará para sempre um resto de dor que a memória não os deixará apagar enquanto existir.

É por tudo isto que penso: de que me serve a mim chorar, se as minhas lágrimas são como as do Sol - secam rápido demais e infelizmente não apagam fogos!]





10 Agosto de 2017
Alda Silvestre







Não, não escolhi Linkin Park porque o Chester Bennington foi "morar nas Estrelas" mas sim porque a música tem tudo a ver com o post e porque sou muito fã (obrigada Pedro!!!). Infelizmente e por coincidência partiu no mesmo mês em que tivemos tanta gente a ir "morar nas Estrelas" também... just because we "Burn It Down" every day.








Porquê? Porque sim!

Estava eu para aqui a divagar sobre alguns assuntos e atitudes tomadas em relação a acontecimentos vários - normais, anormais e suis generis - da vida quotidiana de tantos de nós, quando subitamente re-descobri a chave e uma das soluções para quase todos os problemas. Isto é, não descobri nada - apenas relembrei de uma estratégia fantástica.



    "O mergulho forçado do Spiderman no chá do DSF - Diogo Fernandes"



"- Ahhh, mas porquê?
- Porque sim!  
- Então mas assim... estragaste-me o chá! Porque fizeste isso?!
- Porque sim e porque me fez rir!"

É resposta de criança? É pois! E que bom que é! Só porque pertence a uma criança o "sim" fica do tamanho da imaginação, do tamanho da vida! 
E não pode ser igual pra mim também?! Neste caso... por acaso até foi! 
E se me apetecer só dar respostas de criança? Fica estranho e esquisito?! Ok, não faz mal! Vão zangar-se, repreender-me ou banir-me?
Sempre ensinei às minhas crianças de que era necessário justificar os porquês... actualmente já não tenho assim tanta certeza disso! 

                    
                                                                       "Vila Natal de Óbidos 2016"


E que... grande porcaria!!! Tinha acabado de escrever um texto tão bonito, erudito, elaborado e cheio de coisas interessantes... digo eu... quando, só porque carreguei numa tecla errada e não estou habituada a este teclado... me apagou tudo e fiquei sem nada! Bolas, raios e coriscos e mais uns quantos nomes feios que me estão para aqui a passar na mente em "rodapé"!!! Não, acho que é mesmo em "roda-cabeça"! Pronto, no fundo, é muito bem feita, não estivesse eu aqui com teorias de que eu é que sei a teoria do "porque sim" - acabei de receber a minha própria lição em forma de boomerang..! Toma e embrulha!

Afinal, é mesmo como digo - o melhor que tenho escrito na vida está apenas bem escondido no meu único neurónio, guardado na minha "Brain Pro" e, aconteça o que acontecer e diga eu o que disser ou fizer, ainda que pensem que falo ou escrevo demais - não tem sido o caso - nunca me conseguirão  conhecer na totalidade pelo simples facto de que o melhor e o pior de mim, está aqui mesmo ao lado - no futuro de cada vinte e quatro horas do meu dia seguinte. 
Não importa nada o que for escrevendo aqui. Venha o que vier de ontem para hoje e, até amanhã, as minhas principais missões, já foram todas cumpridas! Agora, o que vier a seguir será apenas o resultado do que fui no passado, a atravessar o presente de um futuro que estava guardado para mim e talvez, escrito num "mapa do tesouro" que trouxe comigo ao nascer. 
A maior riqueza de uma vida já consegui! Mas não, ainda não encontrei o tesouro. No entanto, o futuro de hoje, já é o meu passado mais precioso!



                                                      Praia do Guincho - Santa Cruz (Torres Vedras)



O resumo do que já nem eu consigo apanhar ou transmitir novamente - porque nada se repete - era apenas o facto de que só consigo ser feliz quando faço o milagre de trazer para o mundo dos adultos, as alegrias, disparates e infantilidade das crianças. Também eu era uma criança quando comecei a tratar de outras crianças muito próximas do meu coração, quer fossem da família ou não. Ainda hoje, fico numa felicidade imensa quando um bebé me sorri só porque lhe apetece, um menino pára no meio da rua para me dizer "oláaa!!!" ou quando me dão um abraço apertado como se me conhecessem desde sempre...se calhar até conhecem e eu é que estou a anos-luz de os entender.
Certo é que sem se aperceberem me arremessam para os meus dias de criança em que era uma felicidade imensa apenas sonhar que conseguia voar, andar de bicicleta ou perceber que já sabia nadar nas ondas mais carinhosas do Penedo do Guincho ou da Praia Formosa.



                                           Photo by AldaSilvestre: Livraria "Ler Devagar" - Lx Factory - Lisboa



                                                        Penedo do Guincho - Santa Cruz (Torres Vedras)


                                       Passagem da Praia Formosa para a Praia do Penedo do Guincho - Santa Cruz


                                                           Piscina Natural da Praia Formosa - Santa Cruz



                                                   Praia Formosa - Santa Cruz (Torres Vedras) - Portugal



Se já existiam muitas perguntas, algumas polémicas e um longo "coma induzido" neste meu blog, desde a época que me "empurraram" nesta viagem, agora, ainda irão surgir mais perguntas, mais polémicas e provavelmente mais "comas induzidos" por tempo indeterminado de cada vez que me apetecer, apenas porque decidi desde o ano passado - a 29 de Agosto de 2016, mais precisamente - concorrer aos "Blogs do Ano". 
Não, não vou dar-vos as respostas que os meus mais próximos já sabem. Como criançola que sou, vou deixar-vos apenas os porquês - sim, porque ainda estou muito a tempo da idade dos "porquês".
Aliás, vou facultar-vos apenas uma resposta!



Reporter Anónimo (tipo Spiderman):

- Se já sabias disto há tanto tempo, porque é que só concorreste este ano?
- Porquê só agora nos últimos dias do prazo limite?
- O que é que ganhas com isto?
- Não tens receio de te expôr assim em larga escala?
- Qual o propósito?
- Achas que te trará benefícios?
- E se nao gostarem do que escreves?
- Vai mudar alguma coisa na tua vida?
- Pensas que irás ter mais amigos ou mais "menos amigos"?
- Em que é que isto irá contribuir para o benefício do planeta ou da humanidade?
- Em suma, porquê?

Alda:

- "Porque sim!"




                                              A "minha" Boneca dos "teus" Segredos and my Dutch Monkey :-)





26.07.2017
Alda Silvestre




Estrela Cadente

Tinha aqui esta mensagem escrita e esquecida há mais de um ano. Nestes meses últimos já vi duas estrelas cadentes e um meteorito. Siiimmmm, vi um meteorito!!! Que coisa incrível! Dizem que é para pedir desejos quando vemos estrelas cadentes...e agora? Com o meteorito o que é que posso pedir??! Vou pensar! Também aceito sugestões... vai ter de ser algo tão fenomenal como aquilo que vi - talvez paz e dignidade seja um pedido importante em forma de fenómeno para tantos de nós... talvez seja sim.


 Foto Lua Cheia by Alda Silvestre, desfocada - a foto! :-)


Então... estava eu num grupo de amigos e de "cabeça no ar" - como sempre - e vi o meteorito a atravessar o céu com uma bola de fogo incandescente de um azul anilado e um feixe de luz que o empurrava na horizontal do céu escuro a toda a velocidade. 
Primeiro ficámos boquiabertos a olhar para o céu semi-iluminado pelas luzes da cidade.  Depois começamos a dizer disparates e, no meio de muitos chegámos à conclusão de que eram os Et's que me vinham buscar a casa para uma "rave". Será fácil concluir que não foram bafejados pela sorte uma vez que "numa rave de risota" no meio da rua já eu estava e por isso não me encontrava em casa à espera deles.

Por esse motivo decidi partilhar aqui esta "estórinha" sem importância nenhuma para a humanidade mas muito importante para mim. 

Por falar em humanidade, à data de hoje e entre tantas outras notícias acabei de ver algo com verdadeira importância para o planeta - ontem desligaram as luzes durante uma hora em vários pontos do globo e em cento e cinquenta freguesias portuguesas. Ora, como não sabia do sucedido e estava muito ocupada a existir, vou agora fazer a minha boa acçao para com o meu mundo e estar quietinha durante uma hora, de luzes apagadas, só a ver chover e a obrigar-me a pensar claro no escuro (acredito que esteja agora muito boa gente a pensar "ufffa, que alívio - ela vai estar quieta e calada durante uma hora...e a pensar, ainda por cima - que fenómeno!").

Foto Luzes Foz do Arelho - Portugal - by Alda Silvestre (Luzinhas treme-treme)


De qualquer maneira, queria apenas partilhar "a conversa que ouvi" do meu neurónio há um ano, nos segundos em que o pensamento ficou preso naquela estrela. Não percebi muito bem com quem era a conversação, mas isso agora também não é importante:

"Num destes dias de um passado recente, vi uma estrela desprender-se do céu em direcção à minha montanha. De vez em quando recebo estes presentes do universo e sou feliz apenas por isso. Confesso no entanto, ter sempre um misto de insatisfação à mistura por não poder ser feita de uma qualquer matéria que me permitisse dançar com as estrelas, escorregar pelo arco-íris e essencialmente voar por onde bem quisesse e me apetecesse... mas pronto, não se pode realmente ter tudo. Por vezes é mesmo um aborrecimento ser "feita de pessoa". Gostava de ser feita de uma matéria transmutável ou que desse para tele-transportar sem qualquer logística ou prévia preparação - seria apenas "pensamento/viagem automática" - e lá iria eu ver "aquelas luzes" onde me apetecesse...quer dizer, às vezes vejo luzinhas a brilhar...mas é quando bato com a cabeça ou quando parto dedos nas portas a vestir casacos... e situações similares!
Mas ainda tenho a esperança de ser nesta minha vida que os cientistas inventam umas asas de "vestir às costas" e voar daqui para ali e dali para outro país qualquer que me apeteça e quando eu bem quiser. Pronto, são vírus e manias que as pessoas às vezes apanham - eu apanhei estes!" 

 Serra do Montejunto - Portugal (foto by Alda Silvestre)


A Montanha Que Gostava de Pessoas

A Estrela Cadente desceu a correr a parede do céu escuro na direcção da sua montanha preferida, deixando atrás de si uma estrada de luz. Quando já estava mais próxima perguntou à montanha:
- Posso morar mais perto de ti?
- Podes sim Estrela... mas assim tão perto também não!
- Porquê? Não percebi...
- Porque me iluminas muito mais e eu não quero!
- E não gostas que te dê luz e forma durante a noite, sua montanha respondona e mal-agradecida?
- Gosto e não gosto - é bom ter-te mais perto mas não gosto que me vejas todos os altos e baixos, todas as mossas e imperfeições... prefiro que continues a ver-me perfeita como antes.
- Mas... mais longe ou mais perto vejo-te da mesma forma.
- Isso dizes tu agora que acabaste de chegar.
- Pelo menos eu acho que vou dizer sempre...! - retorquiu a Estrela.
- E eu acho que não! Com o passar do tempo, as coisas mudam todas... todos os dias ouço vozes ao longe dizerem: "ahhh, que linda aquela montanha... vamos lá?!"
- Pois! Vês...?!!!
- Pois vejo... o pior é que quando aqui chegam, viram-se para a minha vizinha do outro lado e dizem exactamente o mesmo! - disse a Montanha desapontada.
- Sério? - perguntou a Estrela muito admirada - Eu nunca vou fazer isso! Gosto de ti, sabes...?!
- Ainda não acredito muito bem...
- Acredita sim! Mas olha, as vozes de que falas são aqueles bonequinhos articulados a que tu chamas pessoas e que nunca sabem estar quietos, calmos nem satisfeitos?
- Sim, são...
- E que fazem muito barulho, esbracejam e barafustam por tudo e por nada?!
- Sim...! - confirmou a Montanha.
- Ahhh, não ligues! Não digas a ninguém mas esses bonequinhos são um bocadinho parvos eu acho. E prometo que nunca te vou fazer isso! - ripostou a Estrela.
- Isso dizes tu... - argumentou de novo a Montanha quase a desmoronar de tristeza - e porque é que dizes que as pessoas são parvas? Eu não acho... até gosto delas.
- Eu também gosto... mas acho na mesma que são parvas! E "muito achado" com muita força daquela que é capaz de mover montanhas como tu!
- Ahahahahah - riu a Montanha - agora tiveste piada! E não se diz "muito achado"...
- Mas eu digo! Afinal com tanta luz à minha volta passo a vida a achar coisas e ver o que mais ninguém vê. E digo-te mais - sabes porque é que os bonequinhos barulhentos são assim?
- Porque são donos de si, vão para onde querem porque têm pernas, são muito fortes e mandam nas coisas... - arriscou a Montanha.
- Mandam?! Nãaaaa! Nada disso!
- Então não sei...
- São todos piores que as crianças que eles mesmos repreendem a toda a hora - pensam que têm uma vida muito grande à frente, que fazem só o que querem e que têm todo o tempo do mundo para viajar e ver todas as montanhas da Terra. Depois, quando percebem que as suas vidas são tão pequeninas como eles é que escolhem uma montanha como tu para admirar e ficar - demoram tempo demais para ver que a paisagem imperfeita da sua montanha é tão bonita como a da montanha do lado.
- Hummm...mesmo assim ainda acho que eles são fortes e destemidos - defendeu a Montanha.
- Alguns sim, mas são raros - ripostou a Estrela - mas mesmo esses... falam comigo como as crianças fazem e pedem-me desejos de cada vez que me vêem mais brilhante... ai se tu soubesses alguns dos disparates que me dizem e pedem para lhes dar... - disse a Estrela a sorrir.
- Pois, imagino!
- Não imaginas, não! Mas acredita que também tenho pena de alguns - e ainda acreditam que sou eu que lhes concretizo os desejos... taditos! Por vezes penso que deve ser por deixarem de saber sonhar que muitos deles ficam assim curvados, tristes, enrugados e velhinhos. Só muito mais tarde percebem que afinal o segredo da magia dos desejos que me pediram esteve sempre ali, na força e persistência da batida dos seus corações em todos os dias e no brilho de cada ideia inventada.
- Então achas que é melhor ser Montanha?
- Muito melhor, não duvides! Desde que sejas Tu e que Eu possa estar perto de ti!



03/2016
Alda Silvestre




"As Fúrias Ou De Como O Pai Venceu A Mãe"


                                                                   Photo by Margarida Dias


Quantas fúrias valem os seus direitos? Quantos direitos valem os seus actos? Direitos? Sim, direitos! Humanos ou Mitológicos, há que tentar manter e preservar num qualquer espaço real ou ficcionado, os maiores valores inerentes à honra da condição e cultura sociais do meio onde “o outro” está inserido e em que acredita. É importante ponderar as causas, motivos, consequências e julgar bem! Julgar? Julgar nunca será certo ou terá benefício inteiramente justo.

Em As Fúrias ou de Como o Pai Venceu a Mãe, deparamo-nos com a criação metafórica de um Tribunal instituido em Atenas, onde se debate ao limite a luta entre o direito maternal e paternal. Mediante a existência de dois crimes – o assassínio do Pai de Orestes e o matricídio – são postas em causa todas as razões que naturalmente levariam as deusas da noite - Eríneas ou Fúrias - a condenar o matricida.
Numa sociedade onde a Mulher era totalmente desvalorizada e vista como sendo apenas uma “incubadora de novos seres”, Apolo alega a favor de Orestes de forma a conseguir a sua absolvição. Neste Tribunal Atena cria lei ao invés de justiça em prol do benefício da ordem pública, desvalorizando a força da razão que todos possuem no íntimo das suas vivências. 

No início da Peça temos a Introdução feita pela encenadora Fernanda Lapa. O público faz parte deste Tribunal, sendo também convidado a decidir o destino de Orestes, com base em todos os factos e emoções expostas, colocando o seu voto nas urnas e assistindo de seguida ao consequente desfecho do drama. No final, todos são convidados a beber uma taça de vinho e brindar em honra de Diónisos, o Deus do Teatro.
E sim, brindemos ao Deus do Teatro!
Brindemos também à Escola de Mulheres – Oficina de Teatro, onde há mais de duas décadas existe um núcleo no feminino responsável pelo desenvolvimento da Arte e onde há uma especial “incubadora de novos seres”, pessoal e artísticamente valorizados.

                                                                     Photo by Margarida Dias



Ficha Técnica e Artística
Texto: a partir de “As Euménides” de Ésquilo
Dramaturgia, Encenação e Figurinos: Fernanda Lapa
Interpretação: Sara Túbio Costa (Pitonisa, Clitemnestra e Atena) / Marta Lapa, Maria Ana Filipe e Joana Castro (Fúrias) / Francisco Côrte-Real (Apolo) / Rodrigo Tomás (Orestes)
Assistência de Encenação e Apoio ao Movimento: Nicolau Antunes
Adereços e Máscaras: Carlos Matos
Desenho de Luz: Paulo Santos
Fotografia: Margarida Dias
Apoio a Adereços: Marinel Matos
Grafismo: Manuela Jorge
Direcção de Produção: Ruy Malheiro
61ª Produção Escola de Mulheres
Classificação Etária M/16

As Fúrias Ou De Como O Pai Venceu A Mãe, estará em cena até dia 29 de Janeiro, de 5ª a Domingo às 21.30h no Espaço Escola de Mulheres (Clube Estefânia).  
Bilhetes à venda na BOL e na Bilheteira Local nos dias do Espectáculo.
Mais informações em www.escolademulheres.com


Nota pessoal:

. Tive a oportunidade de experienciar um dos métodos de Apoio ao Movimento, leccionado pelo Nicolau Antunes a uma turma onde também participaram os actores e alguns elementos da produção de As Fúrias. Devo salientar que a experiência foi extremamente enriquecedora a nível pessoal para o meu auto-conhecimento físico e emocional. No entanto, para além disso, foi muito interessante uma “outsider” perceber um pouco da dinâmica de trabalho exigida e percorrida por todos, até à hora em que tive o privilégio de me sentar confortávelmente a ver o trabalho final, sendo também eu, um dos elementos do público daquele “Tribunal”.
. Foi surpreendente para mim mesma como é que utilizando a razão e o coração como muletas e, baseada numa frase dita com toda a convicção há muito tempo pela criança mais importante da minha vida, onde me descreveu de forma incisiva um sentimento humanamente correcto e que eu podia relacionar naquele instante com a situação dramática daqueles deuses, poder constatar que apesar de eu estar a raciocinar no sentido da justiça também me enganei no julgamento. Confesso que me assustei um pouco com o facto de ter ficado a certeza de que simplesmente julgar, também pode condenar inocentes.
. A última lição que trouxe da experiência é que ser actor, encenador, dramaturgo, cantor, dançarino, pintor, trapezista, malabarista, escritor… ou outra qualquer profissão ligada às artes… ou outras, não são apenas para quem quer, mas sim para quem tem a arte de se esforçar para lá dos seus limites até conseguir!



Alda Silvestre
11.01.2017





IVO CANELAS - On and Off


Numa primeira leitura e para quem não sabe ou ainda não conhece, pode parecer que estou apenas a identificar o nome de um interruptor inserido num painel eléctrico. Mas não! De todo! Estou a tentar falar de uma pessoa, de um actor, de uma vida – afinal, existimos todos numa alternância de “on and off” – são muitas as vezes em que na verdade, mais parecemos um painel de luzes dum quadro eléctrico em curto-circuito, para conseguirmos aceder a todas as solicitações existenciais.
É na verdade, uma tarefa muito difícil para mim falar do Ivo. Tão difícil que ando sensivelmente há ano e meio para o fazer. É muito tempo?! Nem por isso – por vezes o tempo pode ser apenas uma palavra sem medida. A verdade é que me fica sempre complicado falar da vida de alguém como o Ivo Canelas que tanto tem de versátil, carismática e internacional, como de aparentemente linear, simples e que consegue passar-nos a sensação de que tudo é tão fácil e natural de se fazer na representação. 
Além disso esta é a “minha entrevista”, conseguida por meu próprio mérito - em “slow motion” - e agora faço com ela o que eu quiser e quando eu quiser… sem ponteiros acusadores ou direccionados para o relógio dos meus limites (desde que o Ivo me autorize a deixar escrito este meu novo “desenho de palavras” da forma que nem eu mesma sei como vai sair).
Aqui vou eu então começar a viagem na montanha russa ou comboio fantasma:
Talvez por há muito tempo ser alguém tão próximo através de coincidências geográficas e de calendário, bem como ao mesmo tempo tão distante, que já rabisquei em várias folhas perdidas e gastas, dezenas de palavras sobre a sua pessoa e o seu trabalho, para começar esta entrevista de carácter informal feita a 29.04.2015. Sim! Foi a Vinte e Nove de Abril de Dois Mil e Quinze – fica assim escrito como se faz nas escrituras notariais - para que não fiquem dúvidas de que assumo publicamente ser a pior candidata a “entrevistadora”, especialmente quando são pessoas com um percurso artístico que tanto admiro e com quem me sinto mais confortável, seja por questões de amizade ou conhecimento de longa data. Estava de tal forma familiarizada com a sua pessoa que este “tinha de ser um daqueles meus eventos” que estão destinados a correr menos bem, digamos assim – os amigos que me estiverem a ler sabem bem do que falo e da minha tendência natural para o disparate.
Foi portanto, naquele famoso dia 29 de Abril que deixei o Ivo “só” meia hora à minha espera – acabou por ter de almoçar sozinho, à sombra das árvores e a ver peixinhos gigantes numa parede em frente (isto não se faz mesmo a ninguém!) – andei perdida na zona do Restelo, sem GPS, enganada por um polícia com uma indicação errada e, obrigada a fazer uma corrida de fitness (deve ter sido castigo do “pequeno/grande Velho do Restelo” que há em mim!). Quando finalmente cheguei ao destino prometido, tenho a certeza de que lhe ficou a convicção do desastre ambulante da entrevistadora a quem se tinha atrevido a conceder algum do seu pouco e precioso tempo. E pronto! Fora o disparate seguinte do “café sem chávena”, com risos inevitáveis pelo meio e eu, com a induzida “duvideza” (junção de dúvida com certeza) de que a conversa informal já não me estava a correr muito bem… lá acalmei ao mesmo tempo que inspirava e aspirava todo o ar ao meu redor para oxigenação cerebral e assim, poder começar condignamente a debitar curiosidades que há muito gostava de ter esclarecidas.


Para algumas gerações falar de Ivo Canelas, é relembrar o Joca da série televisiva OFura Vidas, onde contracenava com o grande Miguel Guilherme, o saudoso Canto e Castro entre tantos outros actores aos quais nunca poderemos comparar ou quantificar a qualidade do seu trabalho. Foi na verdade, com esta série que teve o primeiro impacto com o facto de se ver numa posição de “figura pública” e reconhecida. Desde essa altura até agora são inúmeros os projectos nacionais e internacionais em que tem participado nas várias vertentes da representação.
No entanto, para mim, é sempre uma curiosidade superior, saber como nasce e como surge o primeiro “click” de qualquer tipo de arte na vida de alguém. Quando pergunto o que se sente e como é ser ainda tão novo e ver-se a fazer parte de um projecto que não o deixou passar anónimo pelo pequeno ecrã, responde firmemente que, “é preciso ter uma base e uma estrutura interior muito fortes e de uma forma bem definida para aguentar o facto de ser constantemente invadido no seu eu”. Impressionou-me deveras a forma como ao falar naturalmente, deixou um recado tão simples mas tão importante e incisivo, às actuais e às vindouras gerações de actores e que não posso deixar de salientar e relembrar:
- “Tão depressa és tudo como és nada! Há que não perder o teu ‘eu’, nem se dissociar daquilo que és, que queres e que tens como objectivos para a tua vida”.
Se pensarmos bem, afinal, estes valores aplicam-se a todos nós, em qualquer profissão ou situação social. É talvez por ter este lema de vida tão bem estruturado e vivido que, apesar do seu enorme e já longo percurso, se tem conseguido manter numa ambiguidade profissional que tanto o mantém um ilustre anónimo discreto, como um actor conhecido e reconhecido com uma enorme versatilidade e carisma. Pode parecer estranho mas é verdade que não foram poucas as vezes que falei do Ivo e foram raras as pessoas que à primeira conseguiram associar o nome ao actor e/ou a uma personagem. Precisam de ir pesquisar primeiro e só depois exclamam um grande “Ahhhhh… já sei quem é!!!”


À data desta nossa conversa estava a saír um projecto com co-produção do Brasil, Italia e Portugal – Estrada 47 – filmado em Itália, dirigido por Vicente Ferraz e no qual personifica um dos milhares de soldados brasileiros que combateram na II Guerra Mundial ao lado das Forças Aliadas, em condições adversas e, onde soldados habituados ao calor se vêm confrontados com as diferenças climatéricas de um país totalmente diferente do seu. Ficam em causa as suas vidas e a forma como sobrevivem ao mesmo tempo que defendem uma “terra de ninguém”, sendo obrigados a ajudar a desminar um campo de minas, enfrentar o inimigo e o sofrimento sobre-humano que lhes é infligido. São inevitavelmente postos à prova como soldados e principalmente como seres humanos. Muito interessante a forma como nos “identificamos e reconhecemos” em situações limite…! Acima de tudo é mais uma realidade histórica da época que muita gente desconhece, bem como uma outra maneira de olhar e ver a forma de fazer cinema destes três países.
É difícil fazer referência a todos os trabalhos de televisão, cinema, teatro e outras vertentes culturais onde já participou mas posso referir alguns tais como Call Girl; Os Filhos do Rock; Florbela; Assim Assim; Shoot Me; A Arte de Roubar; Liberdade 21; Desavergonhadamente Real; O Mistério da Estrada de Sintra, entre muitos outros. Vale a pena fazer uma pesquisa pormenorizada ao IMDb e ir descobrindo sequencialmente o seu percurso desde 1994. Esteve muitas vezes nomeado para melhor actor e foi galardoado com o merecido prémio em alguns deles. 

                                                                                          

Ao perguntar que tipo de projecto mais o alicia, responde que gosta de fazer qualquer coisa desde que seja bom e que goste – sem complexos, menosprezos ou depreciação. Não importa se são séries, filmes, teatro, novelas, etc. Apenas faz mais filmes porque lhe têm aparecido mais projectos nessa área. De qualquer forma assegura de que não é fácil andar sempre a correr de um lado para o outro, saltar de país em país, não poder estabilizar nem assentar raízes. Talvez seja por este motivo que um dia disse numa entrevista a um magazine de um jornal, que já lhe tinha passado pela cabeça deixar de ser actor (algo deste género). Logo que me foi possível, enviei-lhe uma mensagem tipo telegrama a dizer, “acabei de ler o magazine -stop – vou matar-te se deixares de ser actor!!! – stop”. 

Ao ouvir o “outro lado” da sua história de vida, relembrei também de uma reportagem televisiva longínqua onde o Ivo disse uma frase/expressão que me marcou deveras na altura por motivos pessoais, que eu não conhecia mas que me gravou um sorriso no rosto e no coração de tão verdadeira que é, seja lá quais forem os deuses, anjos e santos protectores de cada um. Talvez por isso nunca mais a esqueci – “Deus ri-se dos nossos planos!” E deve rir-se bastante mesmo porque nessa altura ainda eu nem sequer imaginava que o “bonequinho falante do ecrã” da minha casa, seria agora o meu “entrevistado”.
Deve ser mesmo verdade que há um “Sininho” qualquer dentro de cada um de nós a obrigar-nos a tomar decisões importantes que nos fazem crer sermos donos e senhores da nossa própria vontade e, quando nos apercebemos, ao corrermos ao sabor das nossas opções e dos nossos sonhos, somos direccionados quase sempre para o sítio do “nunca imaginei” ou do “quem diria”. E é assim que vivemos constantemente - em “On and Off”. E foi assim também que o actor encontrou a sua forma de terminar o Conservatório Nacional num passado recente, pelo meio de tantos trabalhos, sendo dono de tantas decisões pessoais e profissionais.
Retomando a minha curiosidade pelo “princípio do início”, confessou que tudo começa no teatrinho da escola primária – sim, na 4ª. Classe. Será caso para dizer agora, como é que uma fase tão primária pode ser tão decisiva na vida de uma criança…?! Mas é mesmo! Portanto, cuidado com as nossas crianças – as verdadeiramente pequenas e aquelas que ainda estão escondidas num qualquer canto de nós…!
O seu primeiro contacto com o público foi nas apresentações dos espectáculos do Conservatório mas o verdadeiro trabalho e experiência a sério foi na antiga Feira Popular de Lisboa, na casa assombrada Passagem do Terror, onde se viu obrigado de um dia para o outro a actuar com o risco da acção/reacção uma vez que tinha de lidar com um público “exigente e mal comportado” no bom sentido – era público real, sincero, sem rodeios e, ou gostava ou não gostava e reagia mediante o que sentia – tal como as crianças. Tinha portanto, o desafio de os “agarrar” a todo o instante e isso foi uma enorme escola práctica.
Mais tarde foi estudar para uma Escola em Nova Iorque porque sentia que cá em Portugal estava um pouco limitado e decidiu alargar os seus próprios horizontes. Depois de ouvir um dos seus exemplos experienciados como formas de aprendizagem, eu própria devo ter ficado com um sorriso estranho congelado na face – recordo-me de, por momentos, deixar de o ouvir e ter pensado: “era exactamente aí que eu deveria ter estudado também…e teria usado todas as salas!”
Passo a explicar o que o Ivo partilhou – pode existir por exemplo uma única sala que está dividida em quatro – num lado estão alunos sentados normalmente em carteiras; noutro estão alunos sentados todos tortos e descontraídos - tipo lounge; numa outra divisão os alunos que trabalham melhor em grupo e numa outra ainda, aqueles que só conseguem desenvolver o processo criativo de forma isolada. Na verdade, todos sabemos que cada pessoa tem uma personalidade e comportamento muito diferente e pessoal, com uma vivência muito própria e isso deveria de ser sempre respeitado em qualquer lugar e em qualquer cultura sem danos de qualquer natureza para quem quer que fosse.
Sei que em algumas escolas se fazem experiências idênticas e talvez estejamos no bom caminho porque desde cedo já se dão algumas dessas liberdades às nossas crianças. Seria muito bom que todas elas se transformassem em “adultos bonitos”, bem educados, bem humorados e capazes de também eles saberem rir dos seus próprios planos que possam sair furados… ou não! Acima de tudo, sejam capazes de ser pessoas realizadas e se possível felizes, estejam eles em modo On ou em modo Off.


Voltando a ti Ivo, muito obrigado por seres o Actor que és e também por nos levares com tanto mérito, brilho e qualidade para lá da linha que delimita o nosso País.
(E agora conta lá, aqui para nós, que ninguém nos vê nem ouve… aproveitaste a oportunidade e passaste pelas divisões todas da dita sala da Escola de Nova Iorque, não passaste?! Diz lá a verdade!)


                           [e os peixinhos gigantes continuam a nadar na parede lá atrás... repararam?!]




23 de Dezembro é o dia do seu aniversário - raramente esqueço por também ser um dia importante para mim por outras circunstâncias especiais. Há anos em que lhe dou os Parabéns, noutros esqueço-me por completo porque o tempo me ganha quase todas as corridas.

De qualquer forma, em datas festivas importantes das vossas vidas, não se esqueçam de brindar com "Refrigerantes e Canções de Amor" (argumento de Nuno Markl,  realização de Luís Galvão Teles, interpretação de Ivo Canelas, Lúcia Moniz, Victória Guerra, Gregório Duvivier, João Tempera, Jorge Palma, Sérgio Godinho, Ruy de Carvalho, Marco Delgado e André Nunes). 


Bem que um pouco de essência de refrigerante e amor de bom tom podem realizar verdadeiras obras de Arte.






17.07.2016
Alda Silvestre

[Esta entrevista não foi escrita ao abrigo do novo Acordo Ortográfico por minha deliberada opção, porque não me apetecia descartar o actual inútil “c” da palavra “Actor” por dois motivos – o primeiro é porque acho mesmo a palavra muito mais bonita e “maior” com o “c”, o segundo motivo é apenas porque quando conheci o Ivo ele ainda era um “Actor” e não um “Ator”. Por conseguinte todo o restante texto teria de ser escrito também tal como eu aprendi na escola primária e na 4ª.Classe.]


(Obviamente recebi todas as autorizações "ministeriais"... e principalmente a do Ivo para publicar este post)

* * *

Alda's Translation arriving soon.  Loading for a while... a long while! :-)









'BRAIN PRO' feat GO PRO


Nem sempre conseguimos transmitir com imagens ou palavras aquilo que na verdade vemos ou sentimos

Yes, and here it is - another post. Finally!

Sim, têm muita razão! Tanto tempo à minha espera é inadmissível!!!
Aos muitos que me perguntaram o porquê deste meu longo silêncio, fui dizendo que tinha o blog em "coma induzido" e que precisava de espaço, tempo, tratamentos e resoluções.
Então vou tentar explicar de forma resumida (tarefa difícil pra mim!) alguns porquês desta minha ausência. Tentarei também fazer com que entendam a co-relação entre este meu novo post e o anterior - de há quase dois anos e meio atrás...ouch - shame on me!

Pois é! Para quem ainda se lembra - e para os que não se lembram, isto também é válido - este blog foi criado por uma das habitantes do meu coração (obrigada Totós), logo após a "mudança de morada" da minha Mãe e para que eu pudesse viajar sem sair do lugar. Deixei-o em banho-maria durante nove meses, até que, num belo dia, nasceu.
Nessa altura queria cumprir uma promessa de escrita feita à pessoa que me inventou e que mais me amou neste planeta (e se calhar no outro também) - escrever um livro essencialmente sobre a sua experiência de vida e valentia para suportar o seu "catálogo de doenças", tal como dizia. Sorria e soltava sempre uma gargalhada por se recordar do seu querido Raul Solnado - afinal estava a roubar-lhe a expressão num dos seus sketchs favoritos e que se chamava A Ida ao Médico.

Sou quase como o José Cid - já quis ser tudo nesta vida. Em pequenina queria ser médica ou enfermeira para ter o poder de curar a minha mãe. Não cheguei lá por motivos vários mas, tive muitos cursos intensivos e com tratamento de choque que me obrigaram a aprender muito - não sou médica nem enfermeira mas sou quase...sem canudos, é certo (pelo menos desde que perdi os caracóis do cabelo). No entanto, já aumentei a esperança de vida a algumas pessoas em meses e até em largos anos. A intenção da minha Mãe era exactamente que eu transmitisse através da escrita de que "ter doenças não é ser doente" e de que, mesmo que na realidade se seja doente, também nem sempre se morre assim com três pancadas - são precisas quatro ou muitas mais!!!
Espero bem ter uma vida muito longa já que fui fabricada desta forma - cheia de mil "pancadas"...! Espero bem ter tempo para honrar e conseguir cumprir algumas das tarefas prometidas à minha Mãe, às Estrelas e a tantas outras mil pessoas espalhadas por esse mundo fora. Acima de tudo, espero conseguir co-relacionar as habilidades e verdadeira Arte de todos os meus amigos, conhecidos e familiares, com a cultura e riqueza do nosso País. Apenas porque mesmo sabendo tão pouco me orgulho de mostrar o tanto que temos.

Uma dessas mil pancadas que possuo é o Mar. Sempre o mar... mas não tenham ilusões porque as outras novecentas e noventa e nove vêm logo seguidinhas: Pedras (pedras mesmo!); Conchas, o Sol; a Lua; Árvores - as minhas grandiosas e resistentes árvores; Nuvens; Baloiços; Crianças; Animais (excluindo melgas que me fazem "cagulos" monumentais e outros "derivados" com os quais não consigo relacionar-me muito bem, confesso!); Flores; Pessoas; Artes; Estrelas; Luzes... e nunca mais acaba! Vejo tudo à minha maneira - tal como todos nós - e invento que o mundo é todo meu, da forma que quero, só porque quero.



                                     Às vezes o mundo é todo meu também  (photo by Manuel Araújo Photographer)



É aqui que entra a lógica do título do post - Brain Pro - sim, declaro para os devidos efeitos que a expressão foi inventada por mim e quem disser o contrário eu processo - fico "tesa" da mesma forma mas nada a que o País e circunstâncias da vida não me tenham já feito ganhar calo.
Obviamente Brain Pro advém da lógica da Go Pro - e sim, vivam as novas tecnologias, claro! Mas, tenho a convicção de que invente o Homem o que inventar nada lhe será superior a si mesmo, nem à capacidade do seu cérebro. Quantas e quantas vezes já nos aconteceu querer registar aquele momento, naquele segundo, naquele lugar, daquela forma e, a natureza ou até o simples facto de existirmos não permitem.
Também é verdade e concordo com a frase "uma imagem vale mais do que mil palavras", mas desculpem-me todos os amantes da fotografia - eu também sou - não posso concordar inteiramente. Uma fotografia, não regista a exacta forma como vemos, como sentimos, "como temos" naquele instante... não capta cheiros nem sentimentos. Portanto, por vezes as palavras fazem falta, nem que seja para descrevermos a nós mesmos o que queremos guardar para sempre; fazem falta para mostrar ilustrado ao nosso cérebro a imagem que queremos guardar pelo tempo que a memória permitir. E, se pensarmos melhor, por vezes até o silêncio tem uma imagem e um sabor mais nítidos do que possamos imaginar.

Pois é! Frequentemente me falha o registo da imagem ou porque me esqueço do "aparelhómetro", ou porque não tenho espaço de memória suficiente (aliás, nunca tenho espaço de memória...!) ou até mesmo porque não me apetece! Sim, às vezes não me apetece sequer estragar o sabor do momento com o facto de ter de me movimentar para fotografar - quando me preparo para o registo da imagem, o sabor já passou. Por vezes, até o melhor elemento ou protagonista da imagem, já passou em segundos.  É quase como uma droga que deixa de fazer efeito quando te dão o antídoto. Claro que estou a falar de tudo isto no campo da vertente positiva... a outra vertente agora não é para aqui chamada!
Então? O que é melhor? Ver sempre através da lente ou atrever-mo-nos a deixar passar o registo da imagem para guardar o instante na nossa Brain Pro interna? Pois...não tenho vergonha de dizer que ainda não sei mas, consigo afirmar que vou continuar a fazer o que me der na real gana na maioria das vezes e, também que faço questão de usar muito mais a minha Brain Pro do que propriamente a Go Pro (Ah, esqueci que ainda não tenho Go Pro...).
Também não tenho vergonha de dizer que irei continuar a aborrecer os amigos, conhecidos e desconhecidos para pedir todas as fotos/momentos/registos que me fizerem falta... só porque em certas alturas estive muito mais empenhada em usufruir do instante do que em registá-lo. Espero que me entendam e que me desculpem! Aliás, são obrigados a desculpar porque, há alguns anos atrás tive um "Mestre" de fotografia que deu o seguinte ensinamento: "vejam a fotografia da vossa forma, ainda que não seja perfeita nem bonita e, acima de tudo, quando viajam, usufruam dos lugares e dos momentos sem se preocuparem se aparecem nas fotos ou sequer, se têm fotos"! Recordo-me de ter pensado: "olha que bom - afinal eu sou quase normal!". Ainda hoje quando me vêm a fotografar - por vezes mal posicionada, torta e a focar o menos improvável - dizem-me: "olha como ela está?! Deve sair uma fotografia linda...". Sei que estão a tentar irritar-me e a depreciar a minha óptica mas a isso costumo responder: "eu é que sei!!!" E quem me conhece em inúmeras e hilariantes histórias, "eu é que sei" já é uma frase famosa!

     É importante dar um tecto ao nosso próprio tecto

E como é tão importante termos um "tecto", seja ele físico ou fictício, espero portanto conseguir com o re-acordar deste blog, dar um Espaço em Branco a mim mesma e a tantas outras pessoas, de forma a que seja preenchido com alguma riqueza em forma de luz, arte ou pedras preciosas e, fazer com que algumas "partículas vivas" deste nosso planeta, onde quer que estejam, se sintam acolhidas e protegidas na sua própria "casa", ainda que em certos dias não consigam ver mais do que o Sol ou as Estrelas.
 
 No matter what, never forget to fight even if during several days you feel like a statue and can't move one finger towards your dreams...the secret is always waiting or rest for a while and be strong enough to achieve the next step. Then, you are ready again to climb your own stairs.

                                                Estátua do Parque Dom Carlos I - Caldas da Rainha



Alda Silvestre

Início do post: há seis meses...
Conclusão do post: 22 Dezembro 2016