Amo-te Mãe / Love You Mother


Dois anos passaram e eu já fiz e inventei de tudo para Te chegar, para Te sentir...
Não sei se te disse... mas deves saber... - comprei-te este livro da Helen Exley três dias depois de te tocar pela última vez - estava nos correios e peguei-lhe, folheei-o e, a cada folha que passava sentia um arrepio por ter tanta coisa em comum com o que tínhamos partilhado durante tantos anos... até o relógio era idêntico ao teu... trouxe-o comigo com uma felicidade imensa em forma de presente para ti mas com a consciência de que já só o poderia oferecer a mim mesma...
E ofereci, na altura, tirando fotos a tudo o que sobrava de ti na tentativa inconsciente de te eternizar.


Há dias e horas em que flutuo com a sensação de que me empurras, orientas e acompanhas... mas depois, vêm os outros como hoje, em que nada me basta. Faça eu o que fizer, escreva o que quer que seja onde quer que me apeteça... não há nada que o mundo invente ou me dê e que me baste.

Hoje, uma parte do meu coração está feliz porque recebeu o delicioso abraço do meu filho :-) :-) :-)

Uma outra parte de mim está triste e até zangada comigo mesma porque deveria de ter sido suficiente... mas não foi - continuas a fazer-me falta! Amo-te Mãe!

Eu sei que já estás fartinha de me ralhar porque não devo sentir assim... eu sei que me dava jeito não ter memória e seguir em frente sem dor alguma... mas, tal como me chamavas, sou "espírito de contradição"...

Sabes bem que há dias em que sou muito feliz dentro de mim mas depois, vêm aqueles dias mauzalhões, como hoje, que só me apetece correr até te encontrar... sentada, à minha espera com um sorriso de quem ama de verdade, ajoelhar-me e deitar a cabeça no teu colo agarrada às tuas mãos deliciosas, remexer-te e desengonçar-te no meio de risadas à toa por ter dito um disparate qualquer.

Nos outros anos, neste dia, levantei cedo, fui buscar dois ramos de flores e, para acalmar o coração, um deixei-o "junto de ti" com um beijo... e o outro, ofereci-o à minha sogra acompanhado de um abraço apertado - apesar de tudo... somos amigas e ela sabe dar-me abraços muito bons.
Hoje não me apeteceu... não me apeteceu nada! Hoje, estou naqueles dias de Aldinha birrenta, que abanava  as rabichas, atirava os sapatos fora e que, sem o saber dizer, sabia apenas sentir...: "eu só quero a minha mãe!"

Agora, também sinto falta de tudo o que me deste, de tudo o que ensinaste e, confesso que tenho pena e até vergonha de não ter a tua força mas na realidade... do que sinto mesmo falta... é de ti e do teu mar de amor sem fim.


Aqui há uns dias atrás vieste dar-me um abraço demorado e delicioso. Eu sei que era sonho mas foi igualzinho... em sentimento, cor e sabor... pedi-te para não ires embora mas tu apenas sorriste e fizeste-me entender que é assim que tem de ser.
Esse dia foi muito bom e ri muito com alguns dos meus amigos. Às vezes quase parece que és tu que me vais colocando no caminho as melhores e mais importantes pessoas desta minha "vida nova"... dizem-me coisas que tu costumavas dizer e fazem-me pensar. "Acordam-me quando adormeço e sossegam-me quando estou demasiado agitada". Sabes bem, que por mau feitio ou teimosia acabo sempre por fazer apenas aquilo que sinto... e que, embora nem sempre seja benéfico para mim, continuo a trazer tudo e todos nas prateleiras do meu coração - muito desarrumadas, é certo, mas guardo tudo lá.


Não sei se imaginas como te admiro...
Eu sou realmente uma filha vaidosa e orgulhosa de ti.
Tenho feito de tudo para ser feliz, para me distrair e para não perder o que tenho de melhor mas, hoje, faltas-me tu.
Hoje, vou fazer de conta...
Porque tenho saudades de puxar a roupa da cama e te ajudar a deitar, de te aconchegar, de te puxar o nariz, dar-te um beijo de boa noite, apagar a luz do quarto e dizer:
"- Até amanhã mãe, dorme bem! Gosto muito de ti!"
Vou fazer de conta...
Porque tenho saudades de ouvir a resposta com o som da tua voz.

Mas não te preocupes porque agora, que tu não estás... todos os dias tenho algum habitante do meu coração que me diz o que preciso de ouvir:
"- Até amanhã;
- Fica bem;
- Gosti muitiii;
- Beijos, beijokas e beijinhos;
- Gosti;
- Dorme bem;
- Love u;
- Todos os dias penso em ti tia;
- Amo-te muito;
- Adoro-te;
- Vê se descansas...!; 
- E vai dormir que o teu mal é sono... ;-)

Fazia-te rir quando te dizia que não me vias chorar porque eu aproveitava todas as lágrimas para poupar mais água na hora do duche e assim poder ser mais amiga do ambiente e do planeta...
Agora, são todos eles que protegem o planeta e que pelo meio de abraços, beijos e "lol's" me dão a mão, não me deixam chorar tudo o que me apetece e, dessa forma, não possa contribuir para alguma tromba de água que aproveite a conexão entre os meus olhos e o aquecimento global! :-)

E agora vou dormir que o meu mal é mesmo sono...
Vê lá se te lembras disto?!


"- I love Milka... e a ti também, mãe!"
"- Ohhhh... e eu vou guardar o teu coração... assim, junto do meu, sempre!"
E encostaste a caixa de chocolates ao peito...

A caixa ainda está guardada aqui ao lado... mas o meu coração, em muitos dias, já não sabe onde mora.

Beijos querida,
Mesmo sem poder desejar-te boa noite...
Amo-te muito




* Quando olho o céu à noite e vejo centenas de estrelas imagino que estás feliz com dezenas de amigos em volta... quando só vejo meia lua e uma estrela imagino que "lá", dorme uma bebé que tu estás a proteger *




06.05.2012
Alda Silvestre


Ps. Promise that the next post will be all in English! Thanks always to all of you around the world! I'm sorry for being a little sad today... take care! xxx




                                                                          





As mais sexys e apetecíveis cuecas de gola alta

Para Homens e Mulheres!!!
 
Making of #1 com Vanessa Martins - 1ª Maxim
(video mudo porque a Vimeo roubou o som ao Youtube por causa dos direitos de autor)


                  http://vimeo.com/channels/portugal#35746...
                                [muito mais agradável ver neste link com audio]

                                                *Post iniciado no dia em que a revista foi para as bancas e...
                                                  terminado hoje... apenas porque chegou o dia certo*

Nesta primeira edição da nova Maxim houve algo que me despertou à atenção. Decidi falar de três particularidades, sendo a primeira delas uma pequena contestação, a segunda um alerta para mulheres que andem ou sejam distraídas - o pior é que sou uma delas... e, a terceira curiosidade é apenas uma chamada de atenção para alguns jornalistas das revistas tipo "cor-de-rosa".


A primeira contestação é: tenho uma "emenda" a fazer ao slogan escolhido para a revista por esta equipa de profissionais. É na verdade um bom slogan de atracção e de vendas mas, dizer que "a Maxim é a melhor invenção depois da mulher"... considero um termo ambiguamente elogioso e redutor. Não concordo nada que a mulher tenha sido uma "invenção"! E, jogando com o poder das palavras, a única frase que me ficou a martelar na cabeça foi: "a mulher foi uma necessidade espontânea da natureza" - por isso saiu tão perfeita! :-) Já os homens, são igualmente perfeitos mas, foram uma obrigatoriedade da natureza :-) para dar continuidade à mulher, protege-la com a sua força natural e acarinha-la de forma a que o ciclo e o círculo do amor/sexo seja vicioso e ininterrupto - digo eu...! Pena é que só há algumas décadas ambos os sexos se comecem a ajustar e entender neste campo. Ainda nem todos têm a capacidade de o fazer mas, com mais alguns séculos chegaremos lá com certeza - envergonhados também por sermos tão lentos na evolução... mas quero muito acreditar que chegaremos, sim! Ou não...! Onde quer que "me encontre" nessa altura, estarei a aguardar a info numa qualquer Maxim à venda no "Inferno"  - sim porque  tal como diz a anedota, "o Céu é muito frio e é no Inferno que estão os homens bons..." - parece-me  ter percebido qual o "grau da bondade" mas, quem me conhece sabe que sou muito enregelada para sobreviver no 'frigorífico dos céus'.
"Attention please!" - nada disto tem uma conotação feminista até porque acredito que a melhor base é sempre o equilíbrio e a partilha.


Na verdade, considero que a natureza nos concebeu a todos como organismos vivos perfeitos mas também acho que quis atrever-se à experimentação de colocar um "outro mundo" dentro de cada um de nós - o cérebro. E, talvez porque a mãe natureza decidiu aloja-lo um pouco acima dos nossos olhos, por muito que achemos saber quase tudo, ainda não conseguimos chegar nem perto do entendimento e da capacidade desse mesmo "mundo".
No nosso dia-a dia é frequente ouvir dizer frases no género: " é totalmente doido(a)"; " aquilo não são propósitos de..."; "que figura ridícula"; "tem a mania que..."; "não está correcto"; "eu não seria capaz"; "a idade já não permite..." - ainda bem que somos todos diferentes!  Há alturas em que a vida nos coloca dentro duma "máquina de lavar", nos dá voltas e mais voltas, centrifuga-nos e, quando termina o "programa", abre-nos a porta e fica à espera que tenhamos coragem de sair da zona de desconforto do "tambor". Quem tem a coragem de sair, é provável que traga estas frases todas trocadas, sem lógica para o "seu mundo" e com as palavras a saltitar de um lado pro outro sem fazer qualquer sentido no imediato. Os que se sentem todos "partidos" e cheios de dores ficam quietos à espera que alguém os venha "descontorcer"... só não se apercebem de estar a correr o sério risco de "lá" ficar para um "sempre" demasiado longo e terem de aprender a viver com muitas manchas de bolor  e com um intragável cheiro a bafio.


E o que é que esta teoria da treta e das máquinas de lavar tem a ver com a Maxim e com a sensualidade da Vanessa Martins? Nada...! E pode até ter muito! Deixo ao vosso critério.
Isto pode parecer um assunto de uma futilidade extrema. Pessoalmente não considero assim e, achei "valioso" que a Vanessa tenha dito: " um dia vou poder dizer aos meus netos que a avó foi a primeira capa da primeira Maxim..." - tão querida: já está a preparar a "ramboia" com os netos - muito positivo mesmo!
Pensem e sejam aquilo que vos apetecer porque o mais provável é só serem valorizados quando já não tiver importância alguma. É comum só admirarmos a paisagem que vemos à distância e não aquela onde temos os pés... no entanto, do outro lado, está sempre alguém que preferia estar no nosso lugar.
É habitual dizer-se que nos é obrigatório viver intensamente o presente e que o passado e o futuro não interessa nada para o momento - certo! Pior é quando se vive tão intensamente o presente  de forma a desmoronar o que de bom construímos no passado e isso coloca em risco o trilho do futuro.  Pior ainda quando todos os dias construímos um futuro digno, honrado, cheio de sacrifícios e quando nos apercebemos, fomos apenas insignificantes marionetas utilizadas pelos outros ou, para usar um termo mais valioso, termos sido heróis e heroínas sem valor e atirados para o lixo de uma vida social cheia de exigências estúpidas e descabidas. Independentemente das experiências boas ou menos boas, memorizadas e registadas dentro dos "nossos mundos", há que saber aproveitar o supra-sumo do "fruto conseguido" de forma a que o passado seja a base da melhor vivência presente na direcção de um futuro emocionalmente confortável e sem arrependimentos.
Em suma: ainda que sejamos recheados de muitos defeitos - físicos ou não - somos todos "um mundo especial". É realmente urgente aceitar e respeitar as diferenças relacionais de forma a conseguirmos ser Homens e Mulheres perfeitos dentro da nossa natural imperfeição... nem que para isso tenhamos a árdua tarefa de transformar umas assustadoras "cuecas de gola alta" na imagem mais sexy e apetecível. O mundo dá muitas voltas ao tambor da máquina da vida e em qualquer altura estamos sempre a tempo de mudar, melhorar e aprender a aceitar o que de novo a vida traz aos "mundos" dentro de nós. 


A segunda curiosidade é dedicada a todas as Mulheres distraídas e Homens pouco atentos...
A vida é feita de ciclos. É muito comum que tanto homens como mulheres, por vezes e até por décadas em alguns casos, os atrevessem sem sequer se darem conta de coisas mínimas mas com importância extrema. Há uma corrida social frenética e eloquente por ambições, carreiras e ascenções profissionais. Os filhos e a família também são uma razão desculpável para as distracções e faltas de cuidados com o nosso eu. Queremos tudo  o que está do "lado de fora" e esquecemo-nos do "lado de dentro" . É precisamente o contrário - se estivermos ricos do lado de dentro o mais provável é que consigamos atrair muito do que está do lado de fora. Não devemos distrair-nos demasiadas vezes porque pode sair demasiado caro. Amem-se, gostem-se, queiram-se e  especialmente, impressionem-se de forma mutua. Se conseguirem, benéfico será começar pelo "lado de dentro" dos vossos mundos de forma a que transborde o melhor para o lado de fora. O que está apenas do lado de fora é como uma bola de sabão que ao mínimo toque rebenta.


"Ok, so you're Brad Pitt... so, you got a car?!" 


Portanto, homens e mulheres, lutem, corram, sonhem, ambicionem mas não se esqueçam de se mimarem com tudo o que merecem e que esteja ao vosso alcance. E, se por culpa da "troika" ou de algum "coelho" que vos saiu na cartola, não puderem ter aquela roupa (íntima ou nem por isso) que, num qualquer segundo já vos atravessou o pensamento..., criem e reinventem a vossa própria moda, nem que tenham de transformar e alterar umas ceroulas do vosso avô, uma cinta ou uma combinação antiga da vossa mãe ou até algo vosso já fora de moda, numa fantástica peça original. A "moda" foi inventada para nos servir e melhorar e não para nos escravizar de forma a derreter as  nossas queridas carteiras cheias dos actuais vírus europeus - "faltadeuros" - em todos os anos que inventam que isto ou aquilo é moda e que aquilo que estava na berra no ano anterior já é totalmente piroso.  Em época de crise não caiamos em jogos de interesses comerciais porque somos povo para abarrotar de ideias bombásticas em todas as vertentes. 
Descobri há dias numa montra de Lisboa - e corro o risco do proprietário(a) vir a correr processar-me - exactamente o que tinha imaginado poder fazer com as ceroulas ou cuecas de gola alta de um antigamente  e que, ficariam garantidamente atraentes num misto de pele bem hidratada... com o modelo que passo a exibir:



Se pensarmos um bocadinho mais adiante..., nós descobrimos o Brasil, os brasileiros inventaram a tanga - e  actualmente fazemos um figurão com ela... - depois, os dentistas brasileiros mostraram-nos os benefícios do fio dental na higiene dentária... - alguém mais ousado decidiu "muda-lo de sítio" e obrigou a classe médica a defini-lo como "fio dentário" para não existir o risco de algum paciente mais distraído usar o fio solto de algumas cuecas que estivessem mais à mão e estalar o chumbo a algum dente aquando  da  higiene dentária matinal ou nocturna... Então, não seremos nós suficientemente inteligentes e inovadores para, mesmo de "tanga", sabermos criar e executar artigos e peças de qualidade - seja em que matéria for - de forma a aumentar as exportações e voltar a descobrir e desbravar economicamente "outros mundos" lá fora?! E não tem necessariamente de ser só o Brasil. Se tudo tem uma sequência e pressupõe evolução, agora... talvez estejamos em tempo de sensibilizar mercados para o facto de que também é agradável despir muito mais... imaginar e reinventar. É tudo um jogo de cintura com o poder das palavras, aliado à força da motivação para fazer acontecer.


E, pegando nas palavras da Vanessa Martins acerca dos netos... aqui fica um exemplo de que tudo ou quase tudo na vida é possível ainda que muitos outros considerem inapropriado ou fora de contexto daquilo que é inventado como socialmente correcto. A beleza física socialmente imposta pode desde cedo transformar-se numa armadilha psicológica. Certo é que nem todos temos oportunidades ou vivências existenciais para evitar o inevitável mas, é da nossa inteira responsabilidade dar o nosso melhor dentro de cada um dos nossos mundos.


                                  
Com maior ou menor felicidade, dores ou contratempos, o facto é que o tempo corre sempre até ao fim  sem esperar por nós, ainda que por vezes sintamos necessidade de descansar ou fazer um intervalo  no espectáculo  da vida.

A terceira observação está relacionada com os pés da Vanessa Martins. Não compro revistas cor-de -rosa  mas dou sempre uma espreitadela "nos bonecos" quando as encontro perdidas numa qualquer sala de espera onde seja obrigada a sentar-me. Há muitos meses atrás ou até talvez um ano, vi  numa dessas folhas perdidas, uma imagem caricata dos pés da  Vanessa envoltos numa gigantesca argola onde mencionava a falta de gosto para a escolha das sandálias que lhe evidenciavam os joanetes. Ri-me sozinha  porque na verdade aquele era um assunto de extrema importância para os bons valores e costumes da nossa sociedade...  enfim. Agora, olhando para "as cuecas de gola alta" ostentadas na revista Maxim, deve ser elemento que os responsáveis pela edição da mesma ponderaram dias a fio - "ai os joanetes da Vanessa...". Deduzo também que todos os que compraram a revista foi exactamente por causa da curiosidade com os ditos cujos... ;-)


Moral da história: "vale tudo menos arrancar olhos"! Sejamos nós lindos, feios, magros, gordos, largos, compridos, curtos, redondos ou bicudos nunca nos devemos distrair, desleixar ou desmoralizar. Quer os outros nos condenem ou incentivem,  façamos o nosso melhor ou não, é obrigatório que o resultado final seja sempre compensador para o nosso mais íntimo e profundo "eu" e com a certeza de missão cumprida.






 24.04.2012
Alda Silvestre
                                                            









Nada por Tudo

      Às vezes não me apetece! E agora, não me apetece - fazer, pensar, correr, programar... enfim, viver... agora, não me apetece! Qual é o mal de não querer viver a repetição por uns longos minutos ou até algumas horas? Não me apetece, pronto!
      Estou aqui, quieta! Apenas movimento ao de leve a mão para construir mais um desenho de palavras... mas estou quieta. Agora mesmo, não estou a viver nada. Estou apenas a saborear a vida, o vento e, a deliciar os meus olhos com a paisagem. Pode não ter nada de extraordinário... mas eu vejo.

     Os outros que agora não são eu, correm velozes ali mais em baixo e numa velocidade sem luz bastante  mais adiante. Correm por todos os motivos válidos e também por aqueles sem qualquer importância. Deslizam sobre rodas pretas e quase todos pintados com a mesma predominância de cores: brancos, pretos, cinzentos... olha, passou agora um que seguia vermelho.
    Cruzam-se em filas, tão próximos e tão distantes... quase podiam fazer como as formigas - colocar os braços de fora e cumprimentarem-se mas, na verdade, o tempo que se iria perder com essa atitude. O percurso demoraria mais do dobro e quando chegassem ao destino estariam todos atrasados para viver... por isso correm... e eu aqui, quieta, só porque não me apetece. E que bom é fazermos só aquilo que realmente nos apetece...! Nem que seja apenas nada.


       Não! Agora não estou a viver. Pelo menos, não como aqueles que vejo atravessar a paisagem. Essa, está como eu - quieta. Só tem uma brisa que a bamboleia. Se eu ali estivesse no meio diria que está muito vento mas a paisagem não diz isso! Mesmo na minha frente está um grande grupo de árvores que parecem uma família... ou então são muito amigas e são na mesma uma família. Umas grandes, outras mais pequenas mas são todas lindas e orgulhosas por estarem ali... uma delas está separada das outras, é mais pequena e parece mais caída...talvez seja mais velha e já se sinta demasiado cansada com o peso de todos os dias. Ou então, é bastante mais nova e ainda está a aprender a crescer - tarefa igualmente árdua...! Também pode estar doente ou apenas triste... mas não me parece. Provavelmente quer estar quieta para conseguir saborear melhor o vento leve misturado com o resto do sol. Pois... deve ser isso porque ela não se mexe. Deve querer estar sossegada para apreciar o castelo ao longe e os moinhos de vento no limite do horizonte ou, então... interroga-se incrédula de como é possível que os "bichinhos reluzentes" que atravessam a paisagem à velocidade sem luz, já não possam parar de viver a correr para poderem sentir a delícia de estar quieto com tudo.


Eu também cheguei aqui a correr. Estacionei num sítio sem qualquer importância emocional mas de uso necessário. Fui lá dentro a correr mas quando voltei, ouvi as árvores, os montes e o horizonte dizerem: "estamos todos aqui... quietos, à tua espera! Será que podes trocar todo o teu nada pelo nosso tudo?

Devem ter ficado felizes por eu ter decidido ficar tão quieta a viver o meu mundo junto com o deles porque, agora, o sol veio amarelar-me ainda mais os caracóis com uma luz especialmente deliciosa e, ao mesmo tempo que se esconde no meio das minhas novas amigas árvores, sussurra-me no meio do vento: 
- "Que bom teres ficado aí quieta a brincar connosco. Que bom teres trocado tanto nada por isto tudo!"

    16.04.2012
     Alda Silvestre

"Quem dança é mais feliz" * Escola de Dança e Artes de Óbidos | Rua de Baixo


[única foto perceptível autorizada pela sra. minha máquina]
            Por amor à arte, há algumas luas atrás escrevi este artigo. Foi o meu primeiro 'filho' mais público mas confesso que nunca me sinto confortável por mostrar as minhas 'acrobacias' literárias. Sinto-me até constrangida por parecer que estou a exibir algo privado. Na verdade, toda a arte é privada. Porque é genuína, espontânea e deixa a alma falar sob todas as formas possíveis e imaginárias de todos os mundos que percorre e conhece. Por vezes, melhor até do que o próprio autor da 'obra de arte'. No entanto, apesar de privada, é de lamentar quando fica presa ou camuflada pelas mais variadas razões.

No mesmo dia em que um 'amigo distante' me fez uma crítica construtiva a este 'Espaço em Branco' e me apercebi que falo demais do meu mundo constatando de que sou capaz de provocar algumas náuseas por saturação, recebi um saboroso elogio de um 'desconhecido próximo' e que também admiro no mundo da arte. Agradeço aos dois! A um porque me deu a coragem de 'exibir' o meu primeiro filho de forma a ficar aqui exposto e assim conseguir provar que também sei falar sobre outras coisas; ao outro porque me deu uma enorme força para não desistir do blog. Obviamente, de escrever nunca vou desistir!!! Tal como diz o  admirável José Luís Peixoto "o que guardamos dentro de nós, azeda-nos".

Deixo então aqui, um pequeno exemplo do que se pode construir por amor à arte através de um simples sonho.
Parabéns à Maria porque sonhou, a toda a equipa deste projecto e a todos os que ainda sabem sonhar.
Agradeço: 
- à Escola de Artes por me ter deixado participar de uma forma tão diminuta;
- ao "RuadeBaixo" e ao Pedro por ter acreditado em mim e também pela foto imponente - porque a minha máquina se lembrou de não 'querer' aproveitar os registos desse dia;
- e, ao Sr. José Martins dos Santos, que eu não sei quem é (ainda!) e me agradece este artigo através do seu comentário.
- e... a quem, só amanhã irei lembrar que me esqueci de referir :-)

"O sonho comanda a vida"...
...e a dança indica um dos caminhos da felicidade.

Escola de Dança e Artes de Óbidos | Rua de Baixo


Alda's translation and resume:

"People who dance are happier" * School of Arts and Dance of Óbidos [Magazine "Rua de Baixo"]

This was my "first serious public child" relationed with my written. It talks about a new School of Arts in Óbidos that started only because a friend of mine dreamed about it one day.
I confess I'm not very comfortable showing 'my words' but I'm honored to be allowed to talk about the School and about this special project.

I consider that every kind of art is something private. Because it is genuine, spontaneous and because it allows the soul to 'speak' in everyway you can imagine and about everyworld the soul knows and travels through. Sometimes, even better than the art's owner.

At the very same day that a 'distant friend' made a constructive criticism about my blog and I've noticed that sometimes I talk too much about my world, another person that I don't really know but that I'm a little closer, told me that he did like my "White Space". So, I thank both of them because the first one made me have the courage to start to show my 'little things' and the other one because he made me see that it really was a stupid thing to do by quit my blog. I will never quit from writing but sometimes I really don't see no point to keep this up.
Portugal really is a rich country giving so many important persons to the cultural landscape and to the world... one of them is "José Luís Peixoto" that I really admire and he says something like this: "what you keep inside of you, makes you sour". So true... that's exactly why I have to write about everything... and me ;-)

The link shows you a good example of what a simple dream can do.

"Dream commands life"... (says another Portuguese poet - António Gedeão)
...and dance indicates one of the several ways to find happiness... says me ;-)

!? Por aí ?! II * * * !? Being around... ?! III




Vou
Por onde o vento me soprar
Com a calma a que o mar me souber
Até o Sol me queimar
Mas Vou!








I'm going
Wherever the wind might blow
With the quietness the sea can taste to me
Untill the Sun burns me
But I'm going!


*accepting the right translation again * :)

!? Por aí ?! II * * * !? Being around... ?! II


O tempo,
É a água que dissolve a memória da terra.
Depois de se evaporar,
Ficam todos os contornos e marcas da sua passagem.

Num outro tempo
Indeterminado.

                                                                                                                                                        23.Jan 2012
                                                                                                                                                       Alda Silvestre


Alda's translation - might need some help this time to be correct!
Thanks a lot teachers ;)

Time 
Is the water which dissolves the land's memory.
After evaporates itself,
Only remains all the outlines and marks from where it did pass through.

In another time
Indeterminated.




Pendurados por um Fio (contém fotos que podem ferir os mais sensíveis)


Já tinha prometido este post há muito tempo.
Na altura imaginei-o com uma vertente cómica.
Hoje não consigo encontrar-lhe comicidade nenhuma após me terem alertado para a notícia do infeliz comentário de uma "senhoró-monstro" de nome Manuela Ferreira Leite e que infelizmente faz parte do nosso panorama político - atingiu-me como uma lança e avivou-me uma dor que, por mais que me abstraia, me divirta ou vire o mundo ao contrário, não consigo deixar de sentir.


 A primeira vez que vi estes ténis pendurados nos fios da rua aqui ao lado achei piada e decidi registar o sucedido. Na altura estavam também umas barbatanas de body-board amarelas mas, essas já não consegui fotografar. Nesse dia uma senhora idosa muito bonita e arranjada sorriu-me e perguntou se as fotos eram para um jornal. Respondi que não era jornal mas que era para meia dúzia de pessoas verem. A senhora continuou a sorrir-me enquanto entrava em casa e despediu-se de mim como se fossemos amigas de longa data dizendo: "faz muito bem, faz muito bem..."


Do pouco que conheço, este facto pode ter variadíssimos significados tais como: vitória, subjugação, humilhação, perda de virgindade ou pura diversão. Para mim, quando vi pela primeira vez, a única coisa que me "subiu à cabeça" foi a visão real do verdadeiro estado do nosso País com um maravilhoso céu azul como pano de fundo - todos de solas rotas e pendurados por um fio!

No actual panorama português quase todos precisamos do milagre de um euro milhões ou de uma lotaria para fazer face a todas as dificuldades sociais que cada família tem de atravessar e superar - de cara alegre de preferência porque tristezas não pagam dívidas. "Há horas felizes" é o slogan da lotaria mas "há horas muito infelizes" é cada vez mais o slogan geral da população que se encontra desempregada, falida ou dos que caminham a passos largos para esse cenário. Houve quem ficasse muito admirado com a minha descontracção na forma de "fazer as honras da casa" à crise, a orçamentos de estado, à troika e todo o arsenal de nomes politicamente correctos dados ao real facto de estarmos todos nas lonas, afogados em dívidas privadas,  estatais, sociais e, literalmente pendurados por dois ou três fios que ainda vão assegurando a sobrevivência de alguns de nós. Sim, porque já são demasiados os que bateram no fundo dos fundos e que, têm de passar a brutal vergonha e humilhação de ter de pedir uma sopa e/ou uma camisola para eles ou para os filhos. Não há palavras que descrevam o drama e a tristeza de alguém que tão fácil ou inadvertidamente chega a este limite. E é na verdade tão mais fácil do que imaginamos chegarmos a essa condição!
Assim, saí-me bem com as "honras da casa" face às dificuldades que têm aparecido apenas porque já tinha tido a obrigatoriedade de me conseguir superar economicamente durante todos os dias de quase uma década, "inventando" sempre o dinheiro que não tinha, pedindo favores, empréstimos e ajudas "aqui e ali". Alguns já paguei, outros continuo a pagar... "e assim sucessivamente". Mas, sempre em abono de causas justas que decidi agarrar independentemente das circunstâncias e com o filtro da verdade e da transparência como escudo protector da minha índole. Dessa invenção diária dependiam algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Portanto, agora, a crise para mim tem apenas nomes mais "modernos".

Ontem o meu dia foi repleto de emoções fortes e confesso que algumas delas me afectaram a alma. Fui dar um abraço especial a uma amiga muito querida que está doente mas que vai ficar outra vez muito boa com a ajuda da família e dos amigos... e do nosso actual sistema de saúde, espero!!! É um privilégio fazer parte da  sua vida e sentir que contribuo um bocadinho para lhe abrir um sorriso no rosto.
Confesso que, entre outras coisas, também não ajudou nada andar todo o dia a pensar na senhoró-monstro acima referida e na ferida que a estúpida me voltou a abrir na memória e na alma. Tornou-se um literal pesadelo porque continuei com ela na cabeça pela noite fora e, durante a noite, "quase" tudo é mais assustador... pior ainda quando se trata da imagem da Ferreira Leite!

Ao contrário do que possam pensar nada tem a ver com a imagem exterior mas sim com o facto de existir no meu País alguém que se acha inteligente e superior ao comum dos mortais e que ainda por cima se acha no direito de opinar em forma de "Roleta Russa" sobre o destino dos nossos pais com mais de 70 anos e que tenham o azar de ficar doentes: "tu morres, tu vives".
Pois bem, gostaria muito de poder dizer-lhe na cara o que me vai na alma e acreditem que se algum dia tiver o pouco prazer de me cruzar com tão patética e abominável senhora, terá de me pedir desculpa! Melhor ainda seria obriga-la a pedir desculpas ao País!!!
Com o facto dessa possibilidade ser remota, sinto-me forçada a exorcisar esta atrocidade dentro desta minha "casa na rede". Na verdade, sinto-me na posição de acrobata sem rede alguma mas atrevo-me a saltar na mesma e assumir tudo o que aqui escrevo. O mundo dá muitas voltas e as nossas vidas também... talvez numa dessas voltas a senhoró-monstro perceba e finalmente se consciencialize de que vivemos todos pendurados apenas por um fio - o da vida.

*  *  *
Carta dirigida a MFL

De:
Alda Silvestre (Juíza do 1º Pouco-Juízo do Tribunal da comarca da terra do Zé-Povinho)
Praça do Calimero que passava na RTP
Ministério da Administração da Justiça Pública
Caldas da Rainha

 12 de Janeiro de 2011                                 


                                                                   ATT
                                                                   Exma. Senhora Doutora
                                                                   Manuela Ferreira Leite
                                                                   Directora da Casa da Roleta Russa Portuguesa
                                                                   Largo das Frases Infelizes, nº infinito
                                                                   Lisboa
 
Assunto: Hemodialisados com mais de 70 anos.

Exma. Senhora Directora,
Venho por este meio educadamente alertar V. Exa. para a urgência da sua necessária atenção e especial análise ao assunto mencionado em epígrafe uma vez que, segundo provas credíveis, V. Exa. não teve a menor ética profissional ou pessoal ou ainda uma boa índole para com os seus semelhantes no seu comportamento televisivo dos últimos dias.

A partir deste parágrafo vou deixar as palavras caras para quem as merece e dizer-lhe tudo o que a senhora merece ouvir numa linguagem directa e emocional e, em discurso de experiência directa. Tentarei ser o mais educada possível mas nada posso garantir até ao final deste espaço em branco.

Pois bem, começo por lhe perguntar se a senhora por acaso tem ou teve família? Com a sua idade e a julgar pela sua cara de infelicidade sempre pensei que já teria passado algumas agruras e desgostos (dos graves!) na vida. A avaliar pelas suas sentenças de morte indirecta à população - tipo Roleta Russa - estou agora convicta de que na verdade a senhora deve ter vindo de uma geração espontânea de aberrações pensantes. Não tem ou nunca teve pais, deduzo...! O pior é que a senhora não partilha pensamentos - vomita-os! E eu que até já estive habituada a limpar vomitado com amor, confesso que o vómito dos seus pensamentos me virou o bucho como dizia a minha querida avó e segunda mãe. 

Deixo-lhe então aqui o meu testemunho para que a senhora perceba que todos somos iguais e todos temos os mesmos direitos quando nos vemos e sentimos numa bifurcação de sobrevivência em que nem sequer o próximo segundo da nossa respiração nos pertence mas sim, à decisão de outrem que a pode prorrogar ou suspender. Foi com a maior das decepções que percebi que a senhora afinal não é uma pessoa. Mais decepcionada ainda por ver a frieza com que considera correcto exterminar os pobres doentes em prol dos ricos infelizmente também doentes. Sabe uma coisa? Nasci de uma família modesta mas muito lutadora. Se vi o Calimero desde os primeiros anos de vida e se me esfolo em defesa de causas em que acredito, foi porque o meu pai foi dos primeiros a colocar em casa com muito suor e sofrimento um aparelho transmissor de imagem para as suas meninas e porque a minha mãe me ensinou a gostar das pessoas desde que elas também gostem de nós - sempre brinquei com pés-descalços (literalmente), ricos, ciganos, de cor escura, mais novos, mais velhos. Em suma, só me afasto de quem não me respeita. No entanto, há sempre a excepção à regra e, consigo é o caso. A senhora não me respeita mas gostaria muito de me aproximar de si só para lhe lembrar de que a senhora corre o risco de morrer de velha e de que também corre o risco - tal como todos nós - de ter uma morte naturalmente lenta. Só depois de ver a minha mãe sofrer tanto é que percebi o significado do nome habitualmente usado pelo povo negro de "Boa-Morte". É muito mais importante do que julgamos ter a sorte de "acordar morto". Mas, para quem não tem essa "sorte" o caminho até lá pode ser muito penoso. Mais penoso será se tiver de atravessar a agonia de saber que há um ou mais carrascos como a senhora que "decidiram" deixar morrer por questões meramente económicas.
Apesar de estar muito zangada com a sua postura  e estar capaz de me transformar na "mulher que mordeu a Ferreira Leite", não consigo desejar-lhe o mesmo destino que a minha mãe teve de atravessar até se transformar na minha Estrela do céu e que eu vejo todos os dias daqui... e estão lá tantas outras Estrelas que pertencem ao meu e a tantos outros corações aqui em baixo...

                                                                                                                                            
Era linda a minha mãe mas, já nesta altura tinha a sentença de morrer demasiado jovem se não fosse operada ao coração num curto espaço de tempo. Naquela época os meus avós gastaram todas as economias que tinham para tentar salvar a vida à filha sem terem qualquer garantia de nada uma vez que tais operações ainda eram quase experimentais mas, graças ao profissionalismo dos médicos e à união da família a aventura teve um final feliz. Reparou no que acabei de escrever Sra. aspirante a directora da Casa da Roleta Russa Portuguesa? Reparou que quer voltar a regredir no tempo? Vivem os ricos ou remediados e morrem os pobres.
Voltando ao assunto dos doentes com mais de 70 anos e que necessitam de hemodiálise para sobreviver, necessito relembrar-lhe que a maior parte dos reformados têm reformas de caca para não dizer de merda. O dinheiro que recebem não chega para as necessidades básicas de sobrevivência quanto mais para despesas de saúde ou tratamentos de Hemodiálise. E, é necessário que tenham a sorte de não ter mais complicação de saúde nenhuma - como se a insuficiência renal fosse pouca coisa e pouco sofrimento... .
A avaliar pela sua frase a senhora não tem mesmo noção dos custos de cada sessão de Hemodiálise e/ou tratamentos que cada doente necessita a equiparar com os valores médios de reforma de cada um.

Depois de estar sentenciada pela própria vida para morrer aos dezassete anos e depois de três operações ao coração, só por volta dos sessenta e oito anos de idade é que a minha mãe ficou gravemente doente  e onde a única matéria em bom estado era o cérebro. Até essa data foi uma doente crónica muito saudável e uma guerreira também. Com a devida consciência da sua condição física sempre nos mentalizou de que a morte era uma consequência natural da vida e foram poucas as vezes que se assustou com as atrocidades que o seu corpo físico subjugava o seu emocional. Mas sabe minha senhora copinho de Leite? Por mais valente que seja o ser humano, nenhum de nós quer morrer para sempre! E para atravessar a linha entre a vida e a morte também ninguém quer sofrer. 
A senhora já viu alguém morrer? Já viu alguém a agonizar de dor? Consegue imaginar-se a ser espetada por agulhas do tamanho das canetas com que escreve as suas asquerosas sentenças, tê-las no braço durante quatro intermináveis horas e repetir a dose dia-sim, dia-não? Já ajudou a aliviar o sofrimento de alguém que lhe pedisse ajuda? Se o fez, e disse o que disse... é ainda uma pessoa pior do que eu imaginava. "Pagar os tratamentos porque o sistema não suporta..." Quer que lhe diga o que é que o sistema e o português não suporta? 
- Pessoas como a senhora que ganham este mundo mais o outro todo; que acumulam reformas por méritos estatais inventados só para alguns; que gastam e gastaram estupidamente grande parte dos fundos recebidos em prol do crescimento económico - esqueceram-se apenas de mencionar o nome dos bolsos onde o crescimento ia acontecer...; que mudaram toda a frota de viaturas de estado não sei quantas vezes - houve um dia em que me lembrei de vos dar umas boas pauladas enquanto segurava a minha mãe de pé porque depois de quatro horas sentada agarrada a uma máquina de diálise, teve uma crise súbita e teve de estar mais quatro horas sentada num banco de plástico duro do hospital com uma hemorroida gigantescamente inflamada e que lhe fazia verter o sangue da transfusão que tinha acabado de receber dois dias antes. Fui um bocadinho inflamada "pedir" aos enfermeiros que a ajudassem mas na verdade reconheço que todos os médicos e enfermeiros são fazedores de muitos milagres tendo em conta todas as condições que pessoas como a senhora lhes roubam para trabalhar - provavelmente, os senhores precisam de estofos confortáveis e mudam a frota de viaturas pelo mesmo motivo - hemorroidas demasiado inflamadas! Ah, e também me recordo de terem mudado todos os computadores da Assembleia da República - era realmente estritamente necessário porque alguns dos vossos cérebros mesquinhos e usurpadores já estavam a abarrotar de vírus!
Enquanto isso tudo decorria nas vossas vidas difíceis e martirizadas eu, e muitos milhares como eu, viveram mais de uma década sem férias ou fins de semana de sexta a segunda, sem subsídios por nos arriscarmos a caminhar pelo próprio pé; a gastar o que tinha e o que não tinha para suportar todas as despesas de alimentação, saúde, farmácia e transporte próprio de forma a que nada faltasse à minha mãe para lhe dar qualidade de vida dentro da pouca que era possível e para que ela se sentisse querida e amada para nem sequer pensar em desistir de viver. 
Sabe senhora Leite Azedo, os hemodialisados de 70 anos também têm famílias que os amam - e afortunados são os que têm! Também têm sentimentos e são gente! Alguns deles, apesar de dependerem das máquinas, conseguem ter vidas quase normais e ainda ajudam a economia do país a progredir - ou antes, ajudavam, porque agora o país já não tem ajuda possível. Alguns deles são pessoas mais felizes do que a senhora, mais alegres e mais válidos - mesmo aqueles que não poderão pagar os tratamentos a avaliar pelo pensamento mesquinho e redutor de V. Exa. 
Quando infelizmente têm uma ou várias fatalidades e/ou entram em descompensação orgânica olham-nos de olhos demasiado baços a pedir ajuda para aliviar o sofrimento, querem falar ou dizer onde lhes dói e já mal se ouvem, precisam de comer e já não conseguem porque o organismo rejeita, querem respirar mas o corpo já não deixa porque já começou a fechar todas as "portas e janelas" por onde a luz da vida passa. 
Sabe minha senhora ignorante? Alguns, por vezes morrem... E deixam outras pessoas a morrer de saudades deles para sempre.

Não sei se entendeu a mensagem  mas deve-me a mim e a milhares de pessoas, no mínimo, um pedido de desculpas!

*   *   *  
Agora,
Imagine a senhora se isto fosse consigo...?! A minha mãe era uma mulher bonita e que sempre aparentou dez anos a menos do que tinha... em três meses e com 68 anos ficou desfigurada, subnutrida e com os médicos a acharem que ela não aguentaria mais do que um ano. Mas aguentou muito mais de um ano e fez diálise depois dos 70 anos - com médicos e enfermeiros que "quiseram" sempre que ela superasse cada crise! Estou em dívida com todos eles e com tanta gente que a amou e que me ajudou a ampara-la durante tantos anos. Sofria tudo calada, sem queixumes e na maior parte das vezes com um sorriso. Poucas foram as vezes que a ouvi dizer que não aguentava mais. Foram também muito poucos os que não a trataram condignamente - esses tristes deviam ter a mesma linha de pensamento da senhora.
Sinto-me em dívida com o Instituto Português do Sangue e com centenas de portugueses e quem sabe estrangeiros por me terem oferecido a dádiva de a ressuscitarem infinitas vezes. De nos terem dado tempo para nos amarmos muito, de me ter deixado a maior lição de amor, de grandiosidade de alma e, de não termos deixado nada por dizer - quase nada pelo menos! Sofremos muito, é certo, mas também rimos muito juntas e "brincámos a sério às mães e às filhas"... e eu era mesmo mãe da minha mãe.

Nos dias em que estava "cheia de saúde"...
Pois é! Foram muitos os dias em que todos pensavam que ela não passava daquela hora mas com a sua força mental passava sempre. E voltava sempre a pôr-se de pé. A velocidade com que o seu corpo diminuía e mirrava foi proporcional ao tamanho da sua grandiosidade de espírito. E tinha uma energia tão especial que mesmo "feiinha" aos vossos olhos, todos lhe dedicavam um carinho especial e me diziam: "a sua mãe tem uns olhos... nem sei explicar". Isso deixava-me muito orgulhosa e na verdade não era preciso explicar nada - conseguia transmitir tudo o que queria mesmo sem falar.


Pode ser chocante mostrar estas fotos mas ela sempre me pediu para que a descrevesse como um exemplo de força, coragem, determinação e de não desistência para todos os milhares de pessoas que atravessam doenças difíceis e que estão a lutar por uma merecedora cura ou até por um final suave, tranquilo e sem dor.
Afinal, são todos heróis!

A dor também se "vê"
Era Verão e assolava-a um frio indescritível associado a uma dolorosa indisposição. Parece que estava acordada mas não - dormia. Tinha acabado de me pedir: "Segura-me filha porque eu não aguento mais...!" "Segurei-a"... e aguentou muito mais do que ela própria imaginara surpreendendo tudo e todos - mais ano e meio. E ainda valeu muito a pena!        


Ainda vieram mais dias cheios de luz e muitos abraços dos seus queridos meninos (já bisnetos) com quem adorava partilhar amor e sorrisos.

Depois, não percebi muito bem o que se cansou primeiro, se o corpo se a mente...
Ainda hoje tenho receio de que tenha desistido de viver para me dar uma outra vida a mim.
Numa das muitas madrugadas em que dormitava encostada no meu ombro, abriu os olhos, viu-me a escrever num papel mal iluminado, sorriu, voltou a fechar os olhos, deslizou a sua mão magrinha e delicada até à folha que eu tinha no colo e deixou-a lá ficar muito tempo olhando-me de vez em quando e sorrindo como que se me dissesse: "continua...!"

É o que estou a tentar fazer - continuar por ela e com a energia dela.





Não sei se me fiz entender...
Todos somos tudo 
Todos somos nada
Vivemos por um mero acaso
Em cada minuto de uma vida inteira.

É bom não deixar nada por dizer 
E deixar muito pouco por fazer.





Quanto à senhora Doutora Manuela Ferreira Leite, agradeço que não faça muito porque é provável que saia asneira.

Sem mais de momento.
Atenciosamente
Alda Silvestre

Alda's translation 
Hello there :)
This time you have to translate with google because it's really too long, although this is all about a portuguese woman from our political staff who said that in her opinion all the persons with more than 70 years old  and that will need to do dialysis treatments should pay all of that expensive treatments... then, it's like - you are rich you can live, you are poor and you must die... can you imagine this?!
As you already know my mother did dialysis and I just can't accept that with my mouth closed.
My country is really such a nice and amazing country but like in every place of the world, there are always some weired persons that we cannot call persons :/
I hope you can understand all that I say and if not just ask me through email or something like that.
Thanks for reading me :)
You all take care 'cause I need all of you with a good or medium health!!! 
Bye for now 
xxx

Ano 2012 - Mais uma voltinha à Montanha Russa no Comboio Fantasma ;-)

Once upon a time...
Um grupo de amigos - todos avariados do cérebro, diga-se! - decidiram ir divertir-se para a antiga e saudosa  Feira Popular de Lisboa. Depois de experimentadas algumas das actividades do recinto, nunca mais foram os mesmos: um dos elementos do grupo, foi 'embrulhado' dentro do Comboio Fantasma e assim obrigado a atravessar um percurso para o qual não estava preparado. Mal abriu os olhos durante o trajecto - tinha medo do escuro, suponho - e, quando se viu a céu aberto percebeu que aquele Comboio Fantasma lhe tinha modificado uma pequena/grande parte da vida em poucos minutos.

A cada mística passagem de ano, todos nós desejamos que apenas num minuto o comboio de uma vida fique carregado só de coisas boas e sonhos maravilhosos todos realizáveis e que o seu trilho atravesse apenas paisagens e planícies repletas de uma beleza infindável...

Todos temos plena consciência da realidade mas continuamos a desejar o possível e o impossível. E é muito bom e necessário sonhar! Sem essa capacidade o Homem nunca teria atingido todos os impossíveis da nossa actual normalidade. 

O meu Comboio não é Fantasma! É mesmo um Comboio Real onde transporto tudo e todos de que sou feita! Claro que nele também viaja muita coisa e muita gente que não conheço ou que conheço menos bem; uns entram, outros saem; mas na verdade, há dias em que percebo que gosto muito de viajar neste meu comboio. Não importa se não conheço todos os caminhos; se ele me eleva à montanha mais alta ou se desce a pique ao vale mais fundo... importa apenas, que o meu comboio me ajude a transportar tudo o que gosto e todos os habitantes da minha vida.


Independentemente da paisagem que tenhamos de percorrer ou do trilho que não sabemos onde termina ou o que nos traz, não podemos esquecer de apreciar apenas o que se encontra visível a cada passo.


 Na noite de hoje, desejo a todos os passageiros de todos os comboios uma noite cheia de luz e que se prolongue e multiplique por muitas mais.


Ah, e mesmo que o mundo acabe como se diz  e se avizinha por aí... "put them on / play them on" and Let's Party!!! :-)



Gosto de ver estes macacos - da minha família - aos saltos e gostava de conseguir fazer como eles...
Se eu me estatelar ou esfolar os joelhos ;-) basta trazerem-me um penso com betadine... e um abraço :-)

Feliz Ano Novo
Happy New Year

Alda's translation:
coming soon... in a blog near you ;-)

Natal 366 / Christmas 366


"O Natal é quando um homem quiser"

Não sou homem mas também tenho direito a ter e fazer o Natal como e quando me apetecer. 

De forma natural e lógica sabemos que Natal significa nascimento. Não importa aquilo em que cada um acredita em relação à data ou a maneira de o celebrar. Importa sim, dar vida e fazer nascer sempre, algo de positivo à humanidade e à sociedade onde é obrigatório saber e conseguir viver com a maior qualidade de vida possível. 

Uns por felicidade, outros, por ironias da vida e outros ainda por contrariedades inesperadas, todos possuem uma história de vida relacionada com a quadra natalícia. E, porque fazer nascer,  também é uma forma de partilhar vida e afectos, é importante que todos consigamos fazer uma ínfima parte do Natal de cada um de nós, de cada casa, de cada pequena ou grande necessidade cujo ombro ao lado do nosso - ou distante - possa ter.

E porque o Natal é quando um homem quiser e eu sou uma mulher muito teimosa, desde há dois anos que  mantenho religiosamente este meu menino Jesus no mesmo sítio onde se encontrava uns dias antes do Natal de 2009. Portanto, "celebro o meu Natal" em todos os 365 dias de cada ano. 
Olhando para trás, há que admitir que foram dois anos intensos na vida de todos nós pelas mais variadas razões - pessoais e/ou sociais. Olhando para a frente, é importante não desistir e, em conjunto ou individualmente tentar fazer com que um pequeno gesto da nossa parte desencadeie o princípio de uma boa diferença na vida de alguém.

Bem hajam a todos quantos o conseguem fazer em muitos dos dias das suas vidas!
Pela minha parte, vou continuar a olhar em frente e esforçar-me quase todos os dias para que o Natal  possua mesmo fora dos anos bissextos os 366 dias de sonhos cheios de cristais açucarados com um brilho de luz.



 *** Feliz Natal a todos***


"Alda's translation/resume"

"Christmas is when a man wants"

I'm not a man but I also have the right to live my Christmas the way I want and when I want.

For us - Portuguese people - Christmas is Natal and this word means to be born. It really doesn't matter the way you live your Christmas and in what do you believe. What really does matter is to make something new and positive to the society to born, live and remain.

And because to be born and to live Christmas it's also another way to share  life, it's very important that we can bring to this world some positive energy to humanity and society.

Because Christmas is when a man wants and because I am a stubborn woman, since Christmas 2009 that I  keep this little Jesus at the same place. Therefore, I live my Christmas on every 365 days of the year.

Looking backwards, we have to admit that this last year has been quite hetic and weird for all of us - in a personal and social way. Looking forward, it's very important to try not give up and, if possible give a helping hand to the shoulder in need and that is right beside you.

Congrats to everybody that is able to give such an important help to others in many days of their lives!
On my side, I'll keep looking forward and I'll try hard almost every day to make Christmas has, even in non bissextile year, 366 days of dreams (it's a portuguese 'fritter') full of sugar cristals with shining lights.

*** Merry Christmas everybody***