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"E Você? Quantas molas já perdeu?" Eu cá já perdi as molas todas...!

                                                           Photo by Alda Silvestre


Há largos meses que vejo fotos da Dânia Neto pelas montras das farmácias da zona Oeste. Imagino que também deve estar em muitas mais por este País fora.
Antecipo que não estou a fazer qualquer publicidade ao produto mas acho muito bem que estas fotos apareçam em farmácias para que assim, qualquer dor de cabeça masculina ou dor de cotovelo feminino que eventualmente se manifeste em qualquer pessoa que as veja... já se encontra no sítio certo para adquirir um paracetamol ou uma pomada deveras eficaz que atenue a dor de cabeça ou a dor articular no meio do braço.
Por falar nisso, a braços com uma pequena dieta e estruturação abdominal ando eu há cerca de três anos mas pronto... confesso que por pouca motivação, pouca paciência, não muita tolerância à dor e outros afins que não são para aqui chamados, ainda não tenho uma... saia igual à dela!

Ía eu a subir a Rua da Praça da Fruta, quando vi uma foto idêntica na montra e, mediante a pergunta lá inscrita - "E você quantas molas já perdeu?" - de imediato obtive a resposta do meu "sininho" - "desculpa lá minha querida mas tu já perdeste as molas todas!". No mesmo instante perguntei-me se seriam as molas da saia, da roupa ou as do cérebro... mas isso não será o mais importante, certo?! Certo! Na verdade o que realmente importa será sempre, não descurarmos a nossa imagem nem deixar de cuidar de nós com mimo, quer sejamos magras, gordas, baixinhas, "compridas" - como dizia uma vizinha da minha mãe - ou perfeitamente normais - mediante o conceito de "beleza normal" de cada um, claro! 

Naquele momento não consegui tirar foto porque ía a conduzir. Fiquei com isto na cabeça e voltei lá uma semana depois, em modo pedestre, para tirar a desejada foto para este post. Mais uma vez a vida diária me ensinou o velho ditado - "não deixes para amanhã o que podes fazer hoje" - o cartaz já tinha  sido retirado da montra... cheguei ao cúmulo de lá ir dentro perguntar porquê ou se eventualmente eles o teriam guardado e que eu o pudesse fotografar? Não estava! O senhor que me atendeu ficou de olhos arregalados com um ar de quem na realidade pensou que não seria bem do cartaz que eu estaria a precisar... mas fui educadinha, disse obrigada e saí!
Por sorte, voltei a cruzar-me com as fotos da Dânia Neto numa outra farmácia bem mais longe de mim, mas já não deixei passar a oportunidade de lhe fotografar as molas sem estendal. Por acaso uma senhora passou por mim aquando do sucedido e virou-se duas vezes para trás acenando a cabeça em reprovação. Deve ter pensado - "coitada... vê-se cada coisa neste mundo...!" 

                                                                             Photo by Alda Silvestre


Na verdade, quando digo que perdi as molas todas é porque após um período de stress elevado e de ter ficado excessivamente magra, à posteriori e logo de seguida engordei oito quilos em dois meses.  Nunca me tinha acontecido e confesso que além de alarmada, não consegui adaptar-me "em tempo real" a este meu novo peso. Daí ter pensado que mesmo que tentasse colocar molas na minha cintura, elas saltariam de imediato tipo pipocas ao lume. Ainda não desisti da luta, mas recuso-me a sofrer que nem uma condenada para validar o outro velho slogan de "beleza a quanto obrigas?"! No way!

Quanto à nova pergunta que aparece nos flyers - "a quantas molas estás do teu Verão ideal?", só me surge responder - "estou a quantas molas forem necessárias para manter a minha roupa de Verão bem  pendurada, seca e arejada! Pois, porque com tanto calor, é a única coisa que me acontece assim mesmo 'rapid'!" 

                                                                               Photo by Alda Silvestre


- "E você? Quantas molas já perdeu?"
- Eu cá já perdi mesmo as molas todas!!! Ou será que não...?! Ainda bem que tenho algumas homónimas penduradas por aí...! :-)


Foto tirada há mais de 3 anos e cedida pela aniversariante LC (obrigada às duas Belezas - LC e EL - pela autorização!)


Sabem que mais?! Cuidem-se sim o melhor possível para serem muito saudáveis e ficarem todos pessoas  muito giras - é importante, sim! -  mas não tenham dúvidas de que o que faz as pessoas mesmo lindas em todas as suas formas é apenas a quantidade e qualidade dos momentos de felicidade de cada dia! Sem isso, não há "corpo fit" que aguente o turbilhão e a rapidez da vida.


Agora, "vou ali a correr viver e já volto!"
Pelo meio, tentarei arranjar uns truques de vida saudável! Prometo que no caso de perder uma ou duas molas na saia, venho aqui dizer qual foi o segredo! ;-)



Frase inventada pelo meu neurónio para justificar a urgência e necessidade do momento em fugir na direcção da vida. A quem a "ofereci", reparou no pormenor e decidiu transformá-la em algo importante. Obrigada prima Renata Paulo - espero estar à altura do "retorno" da tua Arte!!!




[Só um aparte - já sei que sou suspeita em termos de arte mas também admiro muito o trabalho da Dânia Neto - talvez ainda este século consiga ter a honra e fazer a proeza de a "entrevistar à minha maneira" tal como os Xutos & Pontapés cantam! Mas sim, claro que antes estarão os amigos, familiares e conhecidos mais próximos tal como "tu, tu e tu..." - vocês sabem quem são!]




3 de Agosto 2017
Alda Silvestre






"As Fúrias Ou De Como O Pai Venceu A Mãe"


                                                                   Photo by Margarida Dias


Quantas fúrias valem os seus direitos? Quantos direitos valem os seus actos? Direitos? Sim, direitos! Humanos ou Mitológicos, há que tentar manter e preservar num qualquer espaço real ou ficcionado, os maiores valores inerentes à honra da condição e cultura sociais do meio onde “o outro” está inserido e em que acredita. É importante ponderar as causas, motivos, consequências e julgar bem! Julgar? Julgar nunca será certo ou terá benefício inteiramente justo.

Em As Fúrias ou de Como o Pai Venceu a Mãe, deparamo-nos com a criação metafórica de um Tribunal instituido em Atenas, onde se debate ao limite a luta entre o direito maternal e paternal. Mediante a existência de dois crimes – o assassínio do Pai de Orestes e o matricídio – são postas em causa todas as razões que naturalmente levariam as deusas da noite - Eríneas ou Fúrias - a condenar o matricida.
Numa sociedade onde a Mulher era totalmente desvalorizada e vista como sendo apenas uma “incubadora de novos seres”, Apolo alega a favor de Orestes de forma a conseguir a sua absolvição. Neste Tribunal Atena cria lei ao invés de justiça em prol do benefício da ordem pública, desvalorizando a força da razão que todos possuem no íntimo das suas vivências. 

No início da Peça temos a Introdução feita pela encenadora Fernanda Lapa. O público faz parte deste Tribunal, sendo também convidado a decidir o destino de Orestes, com base em todos os factos e emoções expostas, colocando o seu voto nas urnas e assistindo de seguida ao consequente desfecho do drama. No final, todos são convidados a beber uma taça de vinho e brindar em honra de Diónisos, o Deus do Teatro.
E sim, brindemos ao Deus do Teatro!
Brindemos também à Escola de Mulheres – Oficina de Teatro, onde há mais de duas décadas existe um núcleo no feminino responsável pelo desenvolvimento da Arte e onde há uma especial “incubadora de novos seres”, pessoal e artísticamente valorizados.

                                                                     Photo by Margarida Dias



Ficha Técnica e Artística
Texto: a partir de “As Euménides” de Ésquilo
Dramaturgia, Encenação e Figurinos: Fernanda Lapa
Interpretação: Sara Túbio Costa (Pitonisa, Clitemnestra e Atena) / Marta Lapa, Maria Ana Filipe e Joana Castro (Fúrias) / Francisco Côrte-Real (Apolo) / Rodrigo Tomás (Orestes)
Assistência de Encenação e Apoio ao Movimento: Nicolau Antunes
Adereços e Máscaras: Carlos Matos
Desenho de Luz: Paulo Santos
Fotografia: Margarida Dias
Apoio a Adereços: Marinel Matos
Grafismo: Manuela Jorge
Direcção de Produção: Ruy Malheiro
61ª Produção Escola de Mulheres
Classificação Etária M/16

As Fúrias Ou De Como O Pai Venceu A Mãe, estará em cena até dia 29 de Janeiro, de 5ª a Domingo às 21.30h no Espaço Escola de Mulheres (Clube Estefânia).  
Bilhetes à venda na BOL e na Bilheteira Local nos dias do Espectáculo.
Mais informações em www.escolademulheres.com


Nota pessoal:

. Tive a oportunidade de experienciar um dos métodos de Apoio ao Movimento, leccionado pelo Nicolau Antunes a uma turma onde também participaram os actores e alguns elementos da produção de As Fúrias. Devo salientar que a experiência foi extremamente enriquecedora a nível pessoal para o meu auto-conhecimento físico e emocional. No entanto, para além disso, foi muito interessante uma “outsider” perceber um pouco da dinâmica de trabalho exigida e percorrida por todos, até à hora em que tive o privilégio de me sentar confortávelmente a ver o trabalho final, sendo também eu, um dos elementos do público daquele “Tribunal”.
. Foi surpreendente para mim mesma como é que utilizando a razão e o coração como muletas e, baseada numa frase dita com toda a convicção há muito tempo pela criança mais importante da minha vida, onde me descreveu de forma incisiva um sentimento humanamente correcto e que eu podia relacionar naquele instante com a situação dramática daqueles deuses, poder constatar que apesar de eu estar a raciocinar no sentido da justiça também me enganei no julgamento. Confesso que me assustei um pouco com o facto de ter ficado a certeza de que simplesmente julgar, também pode condenar inocentes.
. A última lição que trouxe da experiência é que ser actor, encenador, dramaturgo, cantor, dançarino, pintor, trapezista, malabarista, escritor… ou outra qualquer profissão ligada às artes… ou outras, não são apenas para quem quer, mas sim para quem tem a arte de se esforçar para lá dos seus limites até conseguir!



Alda Silvestre
11.01.2017