!? Por aí ?! II * * * !? Being around... ?! III
Vou
Por onde o vento me soprar
Com a calma a que o mar me souber
Até o Sol me queimar
Mas Vou!
I'm going
Wherever the wind might blow
With the quietness the sea can taste to me
Untill the Sun burns me
But I'm going!
*accepting the right translation again * :)
!? Por aí ?! II * * * !? Being around... ?! II
O tempo,
É a água que dissolve a memória da terra.
Depois de se evaporar,
Ficam todos os contornos e marcas da sua passagem.
Num outro tempo
Indeterminado.
23.Jan 2012
Alda Silvestre
Alda's translation - might need some help this time to be correct!
Thanks a lot teachers ;)
Time
Is the water which dissolves the land's memory.
After evaporates itself,
Only remains all the outlines and marks from where it did pass through.
In another time
Indeterminated.
Pendurados por um Fio (contém fotos que podem ferir os mais sensíveis)

Já tinha prometido este post há muito tempo.
Na altura imaginei-o com uma vertente cómica.
Hoje não consigo encontrar-lhe comicidade nenhuma após me terem alertado para a notícia do infeliz comentário de uma "senhoró-monstro" de nome Manuela Ferreira Leite e que infelizmente faz parte do nosso panorama político - atingiu-me como uma lança e avivou-me uma dor que, por mais que me abstraia, me divirta ou vire o mundo ao contrário, não consigo deixar de sentir.
A primeira vez que vi estes ténis pendurados nos fios da rua aqui ao lado achei piada e decidi registar o sucedido. Na altura estavam também umas barbatanas de body-board amarelas mas, essas já não consegui fotografar. Nesse dia uma senhora idosa muito bonita e arranjada sorriu-me e perguntou se as fotos eram para um jornal. Respondi que não era jornal mas que era para meia dúzia de pessoas verem. A senhora continuou a sorrir-me enquanto entrava em casa e despediu-se de mim como se fossemos amigas de longa data dizendo: "faz muito bem, faz muito bem..."
Do pouco que conheço, este facto pode ter variadíssimos significados tais como: vitória, subjugação, humilhação, perda de virgindade ou pura diversão. Para mim, quando vi pela primeira vez, a única coisa que me "subiu à cabeça" foi a visão real do verdadeiro estado do nosso País com um maravilhoso céu azul como pano de fundo - todos de solas rotas e pendurados por um fio!
No actual panorama português quase todos precisamos do milagre de um euro milhões ou de uma lotaria para fazer face a todas as dificuldades sociais que cada família tem de atravessar e superar - de cara alegre de preferência porque tristezas não pagam dívidas. "Há horas felizes" é o slogan da lotaria mas "há horas muito infelizes" é cada vez mais o slogan geral da população que se encontra desempregada, falida ou dos que caminham a passos largos para esse cenário. Houve quem ficasse muito admirado com a minha descontracção na forma de "fazer as honras da casa" à crise, a orçamentos de estado, à troika e todo o arsenal de nomes politicamente correctos dados ao real facto de estarmos todos nas lonas, afogados em dívidas privadas, estatais, sociais e, literalmente pendurados por dois ou três fios que ainda vão assegurando a sobrevivência de alguns de nós. Sim, porque já são demasiados os que bateram no fundo dos fundos e que, têm de passar a brutal vergonha e humilhação de ter de pedir uma sopa e/ou uma camisola para eles ou para os filhos. Não há palavras que descrevam o drama e a tristeza de alguém que tão fácil ou inadvertidamente chega a este limite. E é na verdade tão mais fácil do que imaginamos chegarmos a essa condição!
Assim, saí-me bem com as "honras da casa" face às dificuldades que têm aparecido apenas porque já tinha tido a obrigatoriedade de me conseguir superar economicamente durante todos os dias de quase uma década, "inventando" sempre o dinheiro que não tinha, pedindo favores, empréstimos e ajudas "aqui e ali". Alguns já paguei, outros continuo a pagar... "e assim sucessivamente". Mas, sempre em abono de causas justas que decidi agarrar independentemente das circunstâncias e com o filtro da verdade e da transparência como escudo protector da minha índole. Dessa invenção diária dependiam algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Portanto, agora, a crise para mim tem apenas nomes mais "modernos".
Ontem o meu dia foi repleto de emoções fortes e confesso que algumas delas me afectaram a alma. Fui dar um abraço especial a uma amiga muito querida que está doente mas que vai ficar outra vez muito boa com a ajuda da família e dos amigos... e do nosso actual sistema de saúde, espero!!! É um privilégio fazer parte da sua vida e sentir que contribuo um bocadinho para lhe abrir um sorriso no rosto.
Confesso que, entre outras coisas, também não ajudou nada andar todo o dia a pensar na senhoró-monstro acima referida e na ferida que a estúpida me voltou a abrir na memória e na alma. Tornou-se um literal pesadelo porque continuei com ela na cabeça pela noite fora e, durante a noite, "quase" tudo é mais assustador... pior ainda quando se trata da imagem da Ferreira Leite!
Ao contrário do que possam pensar nada tem a ver com a imagem exterior mas sim com o facto de existir no meu País alguém que se acha inteligente e superior ao comum dos mortais e que ainda por cima se acha no direito de opinar em forma de "Roleta Russa" sobre o destino dos nossos pais com mais de 70 anos e que tenham o azar de ficar doentes: "tu morres, tu vives".
Pois bem, gostaria muito de poder dizer-lhe na cara o que me vai na alma e acreditem que se algum dia tiver o pouco prazer de me cruzar com tão patética e abominável senhora, terá de me pedir desculpa! Melhor ainda seria obriga-la a pedir desculpas ao País!!!
Com o facto dessa possibilidade ser remota, sinto-me forçada a exorcisar esta atrocidade dentro desta minha "casa na rede". Na verdade, sinto-me na posição de acrobata sem rede alguma mas atrevo-me a saltar na mesma e assumir tudo o que aqui escrevo. O mundo dá muitas voltas e as nossas vidas também... talvez numa dessas voltas a senhoró-monstro perceba e finalmente se consciencialize de que vivemos todos pendurados apenas por um fio - o da vida.
* * *
Carta dirigida a MFL
De:
Alda Silvestre (Juíza do 1º Pouco-Juízo do Tribunal da comarca da terra do Zé-Povinho)
Praça do Calimero que passava na RTP
Ministério da Administração da Justiça Pública
Caldas da Rainha
12 de Janeiro de 2011
ATT
Exma. Senhora Doutora
Manuela Ferreira Leite
Directora da Casa da Roleta Russa Portuguesa
Largo das Frases Infelizes, nº infinito
Lisboa
Assunto: Hemodialisados com mais de 70 anos.
Exma. Senhora Directora,
Venho por este meio educadamente alertar V. Exa. para a urgência da sua necessária atenção e especial análise ao assunto mencionado em epígrafe uma vez que, segundo provas credíveis, V. Exa. não teve a menor ética profissional ou pessoal ou ainda uma boa índole para com os seus semelhantes no seu comportamento televisivo dos últimos dias.
A partir deste parágrafo vou deixar as palavras caras para quem as merece e dizer-lhe tudo o que a senhora merece ouvir numa linguagem directa e emocional e, em discurso de experiência directa. Tentarei ser o mais educada possível mas nada posso garantir até ao final deste espaço em branco.
Pois bem, começo por lhe perguntar se a senhora por acaso tem ou teve família? Com a sua idade e a julgar pela sua cara de infelicidade sempre pensei que já teria passado algumas agruras e desgostos (dos graves!) na vida. A avaliar pelas suas sentenças de morte indirecta à população - tipo Roleta Russa - estou agora convicta de que na verdade a senhora deve ter vindo de uma geração espontânea de aberrações pensantes. Não tem ou nunca teve pais, deduzo...! O pior é que a senhora não partilha pensamentos - vomita-os! E eu que até já estive habituada a limpar vomitado com amor, confesso que o vómito dos seus pensamentos me virou o bucho como dizia a minha querida avó e segunda mãe.
Deixo-lhe então aqui o meu testemunho para que a senhora perceba que todos somos iguais e todos temos os mesmos direitos quando nos vemos e sentimos numa bifurcação de sobrevivência em que nem sequer o próximo segundo da nossa respiração nos pertence mas sim, à decisão de outrem que a pode prorrogar ou suspender. Foi com a maior das decepções que percebi que a senhora afinal não é uma pessoa. Mais decepcionada ainda por ver a frieza com que considera correcto exterminar os pobres doentes em prol dos ricos infelizmente também doentes. Sabe uma coisa? Nasci de uma família modesta mas muito lutadora. Se vi o Calimero desde os primeiros anos de vida e se me esfolo em defesa de causas em que acredito, foi porque o meu pai foi dos primeiros a colocar em casa com muito suor e sofrimento um aparelho transmissor de imagem para as suas meninas e porque a minha mãe me ensinou a gostar das pessoas desde que elas também gostem de nós - sempre brinquei com pés-descalços (literalmente), ricos, ciganos, de cor escura, mais novos, mais velhos. Em suma, só me afasto de quem não me respeita. No entanto, há sempre a excepção à regra e, consigo é o caso. A senhora não me respeita mas gostaria muito de me aproximar de si só para lhe lembrar de que a senhora corre o risco de morrer de velha e de que também corre o risco - tal como todos nós - de ter uma morte naturalmente lenta. Só depois de ver a minha mãe sofrer tanto é que percebi o significado do nome habitualmente usado pelo povo negro de "Boa-Morte". É muito mais importante do que julgamos ter a sorte de "acordar morto". Mas, para quem não tem essa "sorte" o caminho até lá pode ser muito penoso. Mais penoso será se tiver de atravessar a agonia de saber que há um ou mais carrascos como a senhora que "decidiram" deixar morrer por questões meramente económicas.
Apesar de estar muito zangada com a sua postura e estar capaz de me transformar na "mulher que mordeu a Ferreira Leite", não consigo desejar-lhe o mesmo destino que a minha mãe teve de atravessar até se transformar na minha Estrela do céu e que eu vejo todos os dias daqui... e estão lá tantas outras Estrelas que pertencem ao meu e a tantos outros corações aqui em baixo...
Era linda a minha mãe mas, já nesta altura tinha a sentença de morrer demasiado jovem se não fosse operada ao coração num curto espaço de tempo. Naquela época os meus avós gastaram todas as economias que tinham para tentar salvar a vida à filha sem terem qualquer garantia de nada uma vez que tais operações ainda eram quase experimentais mas, graças ao profissionalismo dos médicos e à união da família a aventura teve um final feliz. Reparou no que acabei de escrever Sra. aspirante a directora da Casa da Roleta Russa Portuguesa? Reparou que quer voltar a regredir no tempo? Vivem os ricos ou remediados e morrem os pobres.
Voltando ao assunto dos doentes com mais de 70 anos e que necessitam de hemodiálise para sobreviver, necessito relembrar-lhe que a maior parte dos reformados têm reformas de caca para não dizer de merda. O dinheiro que recebem não chega para as necessidades básicas de sobrevivência quanto mais para despesas de saúde ou tratamentos de Hemodiálise. E, é necessário que tenham a sorte de não ter mais complicação de saúde nenhuma - como se a insuficiência renal fosse pouca coisa e pouco sofrimento... .
A avaliar pela sua frase a senhora não tem mesmo noção dos custos de cada sessão de Hemodiálise e/ou tratamentos que cada doente necessita a equiparar com os valores médios de reforma de cada um.
Depois de estar sentenciada pela própria vida para morrer aos dezassete anos e depois de três operações ao coração, só por volta dos sessenta e oito anos de idade é que a minha mãe ficou gravemente doente e onde a única matéria em bom estado era o cérebro. Até essa data foi uma doente crónica muito saudável e uma guerreira também. Com a devida consciência da sua condição física sempre nos mentalizou de que a morte era uma consequência natural da vida e foram poucas as vezes que se assustou com as atrocidades que o seu corpo físico subjugava o seu emocional. Mas sabe minha senhora copinho de Leite? Por mais valente que seja o ser humano, nenhum de nós quer morrer para sempre! E para atravessar a linha entre a vida e a morte também ninguém quer sofrer.
A senhora já viu alguém morrer? Já viu alguém a agonizar de dor? Consegue imaginar-se a ser espetada por agulhas do tamanho das canetas com que escreve as suas asquerosas sentenças, tê-las no braço durante quatro intermináveis horas e repetir a dose dia-sim, dia-não? Já ajudou a aliviar o sofrimento de alguém que lhe pedisse ajuda? Se o fez, e disse o que disse... é ainda uma pessoa pior do que eu imaginava. "Pagar os tratamentos porque o sistema não suporta..." Quer que lhe diga o que é que o sistema e o português não suporta?
- Pessoas como a senhora que ganham este mundo mais o outro todo; que acumulam reformas por méritos estatais inventados só para alguns; que gastam e gastaram estupidamente grande parte dos fundos recebidos em prol do crescimento económico - esqueceram-se apenas de mencionar o nome dos bolsos onde o crescimento ia acontecer...; que mudaram toda a frota de viaturas de estado não sei quantas vezes - houve um dia em que me lembrei de vos dar umas boas pauladas enquanto segurava a minha mãe de pé porque depois de quatro horas sentada agarrada a uma máquina de diálise, teve uma crise súbita e teve de estar mais quatro horas sentada num banco de plástico duro do hospital com uma hemorroida gigantescamente inflamada e que lhe fazia verter o sangue da transfusão que tinha acabado de receber dois dias antes. Fui um bocadinho inflamada "pedir" aos enfermeiros que a ajudassem mas na verdade reconheço que todos os médicos e enfermeiros são fazedores de muitos milagres tendo em conta todas as condições que pessoas como a senhora lhes roubam para trabalhar - provavelmente, os senhores precisam de estofos confortáveis e mudam a frota de viaturas pelo mesmo motivo - hemorroidas demasiado inflamadas! Ah, e também me recordo de terem mudado todos os computadores da Assembleia da República - era realmente estritamente necessário porque alguns dos vossos cérebros mesquinhos e usurpadores já estavam a abarrotar de vírus!
Enquanto isso tudo decorria nas vossas vidas difíceis e martirizadas eu, e muitos milhares como eu, viveram mais de uma década sem férias ou fins de semana de sexta a segunda, sem subsídios por nos arriscarmos a caminhar pelo próprio pé; a gastar o que tinha e o que não tinha para suportar todas as despesas de alimentação, saúde, farmácia e transporte próprio de forma a que nada faltasse à minha mãe para lhe dar qualidade de vida dentro da pouca que era possível e para que ela se sentisse querida e amada para nem sequer pensar em desistir de viver.
Sabe senhora Leite Azedo, os hemodialisados de 70 anos também têm famílias que os amam - e afortunados são os que têm! Também têm sentimentos e são gente! Alguns deles, apesar de dependerem das máquinas, conseguem ter vidas quase normais e ainda ajudam a economia do país a progredir - ou antes, ajudavam, porque agora o país já não tem ajuda possível. Alguns deles são pessoas mais felizes do que a senhora, mais alegres e mais válidos - mesmo aqueles que não poderão pagar os tratamentos a avaliar pelo pensamento mesquinho e redutor de V. Exa.
Quando infelizmente têm uma ou várias fatalidades e/ou entram em descompensação orgânica olham-nos de olhos demasiado baços a pedir ajuda para aliviar o sofrimento, querem falar ou dizer onde lhes dói e já mal se ouvem, precisam de comer e já não conseguem porque o organismo rejeita, querem respirar mas o corpo já não deixa porque já começou a fechar todas as "portas e janelas" por onde a luz da vida passa.
Sabe minha senhora ignorante? Alguns, por vezes morrem... E deixam outras pessoas a morrer de saudades deles para sempre.
Não sei se entendeu a mensagem mas deve-me a mim e a milhares de pessoas, no mínimo, um pedido de desculpas!
* * *
Agora,
Imagine a senhora se isto fosse consigo...?! A minha mãe era uma mulher bonita e que sempre aparentou dez anos a menos do que tinha... em três meses e com 68 anos ficou desfigurada, subnutrida e com os médicos a acharem que ela não aguentaria mais do que um ano. Mas aguentou muito mais de um ano e fez diálise depois dos 70 anos - com médicos e enfermeiros que "quiseram" sempre que ela superasse cada crise! Estou em dívida com todos eles e com tanta gente que a amou e que me ajudou a ampara-la durante tantos anos. Sofria tudo calada, sem queixumes e na maior parte das vezes com um sorriso. Poucas foram as vezes que a ouvi dizer que não aguentava mais. Foram também muito poucos os que não a trataram condignamente - esses tristes deviam ter a mesma linha de pensamento da senhora.
Sinto-me em dívida com o Instituto Português do Sangue e com centenas de portugueses e quem sabe estrangeiros por me terem oferecido a dádiva de a ressuscitarem infinitas vezes. De nos terem dado tempo para nos amarmos muito, de me ter deixado a maior lição de amor, de grandiosidade de alma e, de não termos deixado nada por dizer - quase nada pelo menos! Sofremos muito, é certo, mas também rimos muito juntas e "brincámos a sério às mães e às filhas"... e eu era mesmo mãe da minha mãe.
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| Nos dias em que estava "cheia de saúde"... |
Pois é! Foram muitos os dias em que todos pensavam que ela não passava daquela hora mas com a sua força mental passava sempre. E voltava sempre a pôr-se de pé. A velocidade com que o seu corpo diminuía e mirrava foi proporcional ao tamanho da sua grandiosidade de espírito. E tinha uma energia tão especial que mesmo "feiinha" aos vossos olhos, todos lhe dedicavam um carinho especial e me diziam: "a sua mãe tem uns olhos... nem sei explicar". Isso deixava-me muito orgulhosa e na verdade não era preciso explicar nada - conseguia transmitir tudo o que queria mesmo sem falar.
Pode ser chocante mostrar estas fotos mas ela sempre me pediu para que a descrevesse como um exemplo de força, coragem, determinação e de não desistência para todos os milhares de pessoas que atravessam doenças difíceis e que estão a lutar por uma merecedora cura ou até por um final suave, tranquilo e sem dor.
Afinal, são todos heróis!
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| A dor também se "vê" |
Era Verão e assolava-a um frio indescritível associado a uma dolorosa indisposição. Parece que estava acordada mas não - dormia. Tinha acabado de me pedir: "Segura-me filha porque eu não aguento mais...!" "Segurei-a"... e aguentou muito mais do que ela própria imaginara surpreendendo tudo e todos - mais ano e meio. E ainda valeu muito a pena!
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Ainda vieram mais dias cheios de luz e muitos abraços dos seus queridos meninos (já bisnetos) com quem adorava partilhar amor e sorrisos.
Depois, não percebi muito bem o que se cansou primeiro, se o corpo se a mente...
Ainda hoje tenho receio de que tenha desistido de viver para me dar uma outra vida a mim.
Numa das muitas madrugadas em que dormitava encostada no meu ombro, abriu os olhos, viu-me a escrever num papel mal iluminado, sorriu, voltou a fechar os olhos, deslizou a sua mão magrinha e delicada até à folha que eu tinha no colo e deixou-a lá ficar muito tempo olhando-me de vez em quando e sorrindo como que se me dissesse: "continua...!"
É o que estou a tentar fazer - continuar por ela e com a energia dela.
![]() | ||
Não sei se me fiz entender...
Todos somos tudo
Todos somos nada
Vivemos por um mero acaso
Em cada minuto de uma vida inteira.
É bom não deixar nada por dizer
E deixar muito pouco por fazer.
Quanto à senhora Doutora Manuela Ferreira Leite, agradeço que não faça muito porque é provável que saia asneira.
Sem mais de momento.
Atenciosamente
Alda Silvestre
Alda's translation
Hello there :)
This time you have to translate with google because it's really too long, although this is all about a portuguese woman from our political staff who said that in her opinion all the persons with more than 70 years old and that will need to do dialysis treatments should pay all of that expensive treatments... then, it's like - you are rich you can live, you are poor and you must die... can you imagine this?!
As you already know my mother did dialysis and I just can't accept that with my mouth closed.
My country is really such a nice and amazing country but like in every place of the world, there are always some weired persons that we cannot call persons :/
I hope you can understand all that I say and if not just ask me through email or something like that.
Thanks for reading me :)
You all take care 'cause I need all of you with a good or medium health!!!
Bye for now
xxx
Alda's translation
Hello there :)
This time you have to translate with google because it's really too long, although this is all about a portuguese woman from our political staff who said that in her opinion all the persons with more than 70 years old and that will need to do dialysis treatments should pay all of that expensive treatments... then, it's like - you are rich you can live, you are poor and you must die... can you imagine this?!
As you already know my mother did dialysis and I just can't accept that with my mouth closed.
My country is really such a nice and amazing country but like in every place of the world, there are always some weired persons that we cannot call persons :/
I hope you can understand all that I say and if not just ask me through email or something like that.
Thanks for reading me :)
You all take care 'cause I need all of you with a good or medium health!!!
Bye for now
xxx
Ano 2012 - Mais uma voltinha à Montanha Russa no Comboio Fantasma ;-)
Once upon a time...
Um grupo de amigos - todos avariados do cérebro, diga-se! - decidiram ir divertir-se para a antiga e saudosa Feira Popular de Lisboa. Depois de experimentadas algumas das actividades do recinto, nunca mais foram os mesmos: um dos elementos do grupo, foi 'embrulhado' dentro do Comboio Fantasma e assim obrigado a atravessar um percurso para o qual não estava preparado. Mal abriu os olhos durante o trajecto - tinha medo do escuro, suponho - e, quando se viu a céu aberto percebeu que aquele Comboio Fantasma lhe tinha modificado uma pequena/grande parte da vida em poucos minutos.
Independentemente da paisagem que tenhamos de percorrer ou do trilho que não sabemos onde termina ou o que nos traz, não podemos esquecer de apreciar apenas o que se encontra visível a cada passo.
Na noite de hoje, desejo a todos os passageiros de todos os comboios uma noite cheia de luz e que se prolongue e multiplique por muitas mais.
Ah, e mesmo que o mundo acabe como se diz e se avizinha por aí... "put them on / play them on" and Let's Party!!! :-)
Gosto de ver estes macacos - da minha família - aos saltos e gostava de conseguir fazer como eles...
Se eu me estatelar ou esfolar os joelhos ;-) basta trazerem-me um penso com betadine... e um abraço :-)
Feliz Ano Novo
Happy New Year
Alda's translation:
coming soon... in a blog near you ;-)
Um grupo de amigos - todos avariados do cérebro, diga-se! - decidiram ir divertir-se para a antiga e saudosa Feira Popular de Lisboa. Depois de experimentadas algumas das actividades do recinto, nunca mais foram os mesmos: um dos elementos do grupo, foi 'embrulhado' dentro do Comboio Fantasma e assim obrigado a atravessar um percurso para o qual não estava preparado. Mal abriu os olhos durante o trajecto - tinha medo do escuro, suponho - e, quando se viu a céu aberto percebeu que aquele Comboio Fantasma lhe tinha modificado uma pequena/grande parte da vida em poucos minutos.
A cada mística passagem de ano, todos nós desejamos que apenas num minuto o comboio de uma vida fique carregado só de coisas boas e sonhos maravilhosos todos realizáveis e que o seu trilho atravesse apenas paisagens e planícies repletas de uma beleza infindável...
Todos temos plena consciência da realidade mas continuamos a desejar o possível e o impossível. E é muito bom e necessário sonhar! Sem essa capacidade o Homem nunca teria atingido todos os impossíveis da nossa actual normalidade.
O meu Comboio não é Fantasma! É mesmo um Comboio Real onde transporto tudo e todos de que sou feita! Claro que nele também viaja muita coisa e muita gente que não conheço ou que conheço menos bem; uns entram, outros saem; mas na verdade, há dias em que percebo que gosto muito de viajar neste meu comboio. Não importa se não conheço todos os caminhos; se ele me eleva à montanha mais alta ou se desce a pique ao vale mais fundo... importa apenas, que o meu comboio me ajude a transportar tudo o que gosto e todos os habitantes da minha vida.
Independentemente da paisagem que tenhamos de percorrer ou do trilho que não sabemos onde termina ou o que nos traz, não podemos esquecer de apreciar apenas o que se encontra visível a cada passo.
Na noite de hoje, desejo a todos os passageiros de todos os comboios uma noite cheia de luz e que se prolongue e multiplique por muitas mais.
Ah, e mesmo que o mundo acabe como se diz e se avizinha por aí... "put them on / play them on" and Let's Party!!! :-)
Gosto de ver estes macacos - da minha família - aos saltos e gostava de conseguir fazer como eles...
Se eu me estatelar ou esfolar os joelhos ;-) basta trazerem-me um penso com betadine... e um abraço :-)
Feliz Ano Novo
Happy New Year
Alda's translation:
coming soon... in a blog near you ;-)
Natal 366 / Christmas 366
"O Natal é quando um homem quiser"
Não sou homem mas também tenho direito a ter e fazer o Natal como e quando me apetecer.
De forma natural e lógica sabemos que Natal significa nascimento. Não importa aquilo em que cada um acredita em relação à data ou a maneira de o celebrar. Importa sim, dar vida e fazer nascer sempre, algo de positivo à humanidade e à sociedade onde é obrigatório saber e conseguir viver com a maior qualidade de vida possível.
Uns por felicidade, outros, por ironias da vida e outros ainda por contrariedades inesperadas, todos possuem uma história de vida relacionada com a quadra natalícia. E, porque fazer nascer, também é uma forma de partilhar vida e afectos, é importante que todos consigamos fazer uma ínfima parte do Natal de cada um de nós, de cada casa, de cada pequena ou grande necessidade cujo ombro ao lado do nosso - ou distante - possa ter.
E porque o Natal é quando um homem quiser e eu sou uma mulher muito teimosa, desde há dois anos que mantenho religiosamente este meu menino Jesus no mesmo sítio onde se encontrava uns dias antes do Natal de 2009. Portanto, "celebro o meu Natal" em todos os 365 dias de cada ano.
Olhando para trás, há que admitir que foram dois anos intensos na vida de todos nós pelas mais variadas razões - pessoais e/ou sociais. Olhando para a frente, é importante não desistir e, em conjunto ou individualmente tentar fazer com que um pequeno gesto da nossa parte desencadeie o princípio de uma boa diferença na vida de alguém.
Bem hajam a todos quantos o conseguem fazer em muitos dos dias das suas vidas!
Pela minha parte, vou continuar a olhar em frente e esforçar-me quase todos os dias para que o Natal possua mesmo fora dos anos bissextos os 366 dias de sonhos cheios de cristais açucarados com um brilho de luz.
*** Feliz Natal a todos***
"Alda's translation/resume"
"Christmas is when a man wants"
I'm not a man but I also have the right to live my Christmas the way I want and when I want.
For us - Portuguese people - Christmas is Natal and this word means to be born. It really doesn't matter the way you live your Christmas and in what do you believe. What really does matter is to make something new and positive to the society to born, live and remain.
And because to be born and to live Christmas it's also another way to share life, it's very important that we can bring to this world some positive energy to humanity and society.
Because Christmas is when a man wants and because I am a stubborn woman, since Christmas 2009 that I keep this little Jesus at the same place. Therefore, I live my Christmas on every 365 days of the year.
Looking backwards, we have to admit that this last year has been quite hetic and weird for all of us - in a personal and social way. Looking forward, it's very important to try not give up and, if possible give a helping hand to the shoulder in need and that is right beside you.
Congrats to everybody that is able to give such an important help to others in many days of their lives!
On my side, I'll keep looking forward and I'll try hard almost every day to make Christmas has, even in non bissextile year, 366 days of dreams (it's a portuguese 'fritter') full of sugar cristals with shining lights.
*** Merry Christmas everybody***
Twinkle Little Star
Twinkle, twinkle Little Star
How I wonder what you are
Eu sei voar correr e saltar
Sorrir brincar e nunca dormir
Consigo ouvir
As bolinhas do teu pensamento
Sempre a saltitar
Naquela nuvem soprada no vento
Twinkle, twinkle Little Star
How I wonder what you are
Sou tão importante
Que não caibo em mim
E vou cintilante
Amar-vos assim.
Twinkle, twinkle My Big Star
I Love You All The Way You Are
Tenho de ir brincar outra vez
Com todas as estrelas que tu não vês
Ah, quase me esquecia...
Gosto tanto tanto
Quando sorris...
Fico feliz!
Twinkle, twinkle My Big Star
Love You All The Way You Are
23/11/2011
Mim
Listen to your heart - Sempre! Will... and Won't... ao sabor do dia.
Oh Gosh... "ouvir o coração", que frase mais banal, gasta e sem nada de novo . Everybody says that, everybody knows that, although when somebody tells you something like that, sometimes you feel almost ashamed to hear... however, it's so true.
Então, vou dizer uma daquelas coisas em que o bonito se torna feio de tão gasto e usado... ou será apenas porque temos vergonha de ser sinceros, ou até por não termos a coragem de admitir o caminho mais desejado, embora o mais banal e mais simples.
[Quando nos desafiamos com a nossa própria coragem de ouvir apenas o nosso coração; quando nos podemos dar ao luxo de seguir apenas os nossos instintos e saber esperar o tempo que for necessário pelo dia em que a vida nos presenteia com as cores e os sabores dos conteúdos da sua bandeja, mais tarde ou mais cedo virá o tempo em que um dos frutos mais pequenos será o mais necessário.]
I've started this post a few days ago - it's been too difficult to me to be here simply because I don't have time... no! Not true! It's been difficult to be here also because I don't have the courage to write and to show what I feel... because every post I finish, a few hours later I'm always feeling that it was a stupid thing to talk about or that was a very emotional and particular thing I shouldn't share or... - always "or" and "if". Enough is enough e acabou! Não "me" vou admitir mais ou autorizar que isso aconteça! Há muito que o meu coração não se importa mais com quem me vê, com o que pensam de mim ou com o que dizem das minhas atitudes mas, infelizmente, há uma parte de mim que racionaliza e consciencializa quase tudo. O pior e o melhor é que o coração da minha alma fala sempre mais alto e é muito mais feliz do que a minha própria vida e sim, fica realmente triste de cada vez que há alguém empenhado em destruir a sua energia. A minha mãe deixou-me mais uma 'missão' a cumprir: dar força e incentivo aos outros com a sua experiência de vida - e como eu tenho sido fraca desde que ela 'mudou de casa'...
Hoje vim aqui a correr deixar este recado pendurado dentro do espelho desta minha casa - talvez se o pendurar no espelho eu o veja todos os dias - only because I woke up today feeling like I'm capable of wind the world in my heart a thousand times; feeling that I'm capable to deal with life and death the same way I deal with hapiness and sadness. I will allow everybody who wants to..., to come with me to be and to make me happy between the good and the bad things of life... who doesn't want this philosofy... I will leave them behind! No matter who, he or she can be! I'll move on, always forward and I'll leave them behind - for good if necessary! With no regrets!!!
Yesterday I went to bed (to my sofa indeed) at 4am because I was looking at the sky and surching for the rain of the stars like the anouncemment on the internet. Não consegui ver nem 'umazinha' estrela cadente mas as estrelas viram-me a mim - só porque eu também quis, claro! :-)
Passei um dia complicado no trabalho por não estar a suportar normalmente o emocional, por não saber resolver uma guerra onde me querem afogar - ri, sorri e conversei com os clientes mas por dentro estava dilacerada com uma dor imensa da falta da minha "bebé que parecia velhinha" - precisava tanto da energia dos olhos dela, do carinho daquelas mãos magrinhas e da força do seu abraço cheio de amor por mim, pela vida (ainda com a consciência de que a dela seria curta!) e por todos aqueles que levou no coração... decidi ir roubar tempo a um dos meus melhores amigos e procurar nas estrelas aquilo que o mundo inteiro já não é capaz de me dar.
A few months ago someone that a consider a friend - I don't know him in person but as long as someone helps me in anyway I consider as a friend - told me something like that : "from now on, everytime I see the stars in the sky I'll remember of you and your love for your mom." This simple sentence was so important and meant so much to me that, last night, I was looking for my mother's love... I only saw in the sky all the stars - mines and yours - that we've loved on earth... but today, at 9am, a special energy and a special feeling woke me up whispering in my heart the only right way to go! No matter what... I'll go!
I've found 'it'! I've found my way! I knew and felt the right way wasn't going back! No matter for how long or what for... I simply found something precious!
Espero sinceramente que a pior parte do meu luto tenha terminado porque na verdade há dias em que parece que não consigo caminhar nem mais um metro. Espero voltar a ter força para dar centenas de voltas à vida e arrumar este caixote do lixo físico e emocional que mais parece uma piscina de lama - o que até pode não ser mau desde que a imaginação não me abandone :-)
Voltar a colocar no lugar tudo aquilo que até aqui não consegui alterar. Voltar a ser mais maluca, mais destravada, mais parva, mais atrevida... mais tudo o que me faz mais feliz! E, acima de tudo, ter força para cumprir tudo aquilo que já prometi e não tenho conseguido concretizar.
Mais do que tudo e, doa a quem doer, a minha única meta é perpetuar a memória da minha mãe, honrar o nome do meu pai e fazer com que daqui a muitos e longos anos o meu filho sinta orgulho de se ter 'atrevido a escolher-me' para mãe.
Também tenho a dádiva de ter mais alguns filhos de geração espontânea ;-) espalhados pelas casas de familiares e de amigos e, tenho a certeza de que me amam como mãe de coração. Entre nós sentimos não ser necessário estarmos sempre juntos ou em comunicação mas todos sabemos que este amor existe e que nos dá uma felicidade imensa de cada vez que nos encontramos.
People use to tell me frequently that I'm naive and that I paint the world with pink... I speak to myself that maybe it's not pink because it's not my favourite colour ;-) - maybe white, or blue or... whatever... or even black because we can only see the stars in the darkness...
I asure you that I really know the world is not pink... although, my world has all the colours I want, when I want, just because I want and I feel like it. Even when I can't control things or the pain around... I'm always surching for those colours.
As crianças felizes, são felizes tão simplesmente porque inventam a felicidade dentro do seu próprio mundo.
Desde criança que aprendi a sobreviver no mundo dos 'gigantes' - consegui sempre manter uma saudável alegria no coração que me sarava a alma de cada vez que caía na tristeza profunda da decepção dos actos dos adultos. Sei que vou continuar a cair e a levantar-me cheia de nódoas negras vezes sem conta, sei que muitos mais dias terei de atravessar cheia de incertezas e dúvidas mas agora, estou muito mais rica.
* The rain of the stars didn't happen for me but did happen inside of me *
Imagine... glad I'm not the only one...
Ontem comecei... hoje fiz de conta... amanhã faço acontecer
Ps. Português + Inglês porque sim - resposta de putos - e porque todos merecem a mesma consideração! :-)
Now, I have to go sleep in a big hurry :)) 'cause in a couple of hours my day re-starts again
Now, I have to go sleep in a big hurry :)) 'cause in a couple of hours my day re-starts again
01, 09 e 10 Out 2011
Títulos de alguns dos próximos posts:
- "An internet success story"
- "Pendurados por um fio"
O mar também é teu
| Pensamento: "O Mar agora, também é todo meu" |
Imagino eu que será bem possível ser este pensamento de posse do mar que a essência do Johnny mantém algures, já que não se dava por vencido em nada. Reparo agora..., tenho tido a dádiva de frequentemente conviver e aprender com guerreiros. Que bom!
O Johnny entra na minha vida, numa fase demasiado pesada mas muito rica em aprendizagem e crescimento. Nem sempre é fácil gerir ou 'digerir' sentimentos para os quais só estamos preparados para atravessar enquanto eles não acontecem. Nem sempre estamos no nosso melhor quando a vida nos amarrota e nem sempre conseguimos fazer com que os outros nos entendam da forma que necessitamos ou sequer, entender os outros da forma que deveríamos. No entanto, é essencial haver flexibilidade mental e/ou emocional para nos adaptarmos ao que sentimos que vale a pena.
Desde o início senti que o Johny era uma dessas pessoas 'que valiam a pena'! Não estava realmente nada enganada!
Não vou aqui tecer maravilhas lamechas daquelas que se costumam dizer aquando do 'fim de história' de alguém só porque fica socialmente mais bonito. Com o Johnny tudo foi diferente até, durante e depois 'do fim da sua história'. Começo a aperceber-me de que, a vida das pessoas 'iluminadas' decorre e termina de uma 'forma especial' e que nos motiva para inventar maneiras de perpetuar a sua existência e a sua memória. É um facto que o 'mudar de sítio' daqueles que amamos não fica menos doloroso nem mais fácil de superar com as melhores palavras do mundo... mas fica certamente mais digno e mais precioso.
Não vou aqui tecer maravilhas lamechas daquelas que se costumam dizer aquando do 'fim de história' de alguém só porque fica socialmente mais bonito. Com o Johnny tudo foi diferente até, durante e depois 'do fim da sua história'. Começo a aperceber-me de que, a vida das pessoas 'iluminadas' decorre e termina de uma 'forma especial' e que nos motiva para inventar maneiras de perpetuar a sua existência e a sua memória. É um facto que o 'mudar de sítio' daqueles que amamos não fica menos doloroso nem mais fácil de superar com as melhores palavras do mundo... mas fica certamente mais digno e mais precioso.
* * *
Fomos informalmente apresentados como professor e aluna da 3S. A primeira impressão foi boa e muito natural. Ao fim de umas horas pareceu-me estar tão familiarizada com ele como com o Nuno e o Fred. Voltei mais feliz e mais leve...
Tenho consciência de não ser a melhor das pessoas - também, se o fosse era uma gigantesca chatice - e, duas ou três aulas depois... zanguei-me com Johnny. Nesse dia não me encontrava na melhor das minhas luas e a minha energia chocou fortemente com a dele. A sua personalidade lutadora exigiu do meu recente estado de 'ressaca emocional' algo que eu considerei descabido e ripostei de imediato. Aquela voz 'forte e poderosa' tinha conseguido desconcertar-me e acordar os meus fantasmas. Não gosto de me dar por vencida mas em poucos minutos, ambos percebemos que era necessário terminar o 'duelo' e assim fizemos: ainda dentro de água pedi-lhe desculpa e ele a mim mas saí do mar a deitar fumo por todos os poros. Não sou de me esconder de nada mas há horas em que sinto necessidade de voltar para dentro do 'meu casulo' para me reconstruir (como um bebé precisa do ventre da mãe para terminar a gestação). Era realmente melhor optar por ir embora uma vez que a minha ligação interna 'coração-boca' estava quase em erupção total. Não me deixaram fazê-lo e, nesse dia voltei mais triste e mais carregada...
No trajecto para a aula seguinte imaginei uma série de hipótese comportamentais da parte dele quando nos cumprimentasse-mos. Eu estava disposta a ser cordialmente natural mas imaginava que o Johnny não iria ser assim. Ele até tinha aquela voz tão grossa...
Afinal, estava redondamente enganada!
Quando me viu chegar foi ter comigo, com a mesma voz grossa... mas com um sorriso franco, aquele olhar de amigo e um braço acolhedor por cima do meu ombro. Sorri-lhe, falámos meia dúzia de palavras (devem ter sido mesmo só três a cada um...) para arrumar-mos o assunto anterior e por dentro, fiquei aos pulos de alegria - o Johnny não estava mesmo zangado comigo! Que bom porque eu não queria mesmo estar zangada com ele!
A partir dessa hora passei a vê-lo com outros olhos e a admira-lo como ser humano. E como eu gosto de gostar das pessoas...
Pouco tempo depois soube um pouco mais da sua história e fiquei emocionalmente boquiaberta. Achei admirável a sua resistência e as opções de vida tomadas. Entendi perfeitamente o porquê da sua reacção à minha reacção. Que boa energia a do Johnny! Que 'boa onda'!!!
Devido às minhas eternas dificuldades 'surfisticas' nem tudo correu sempre bem mas nunca mais nos desentendemos. Ele conhecia-me bem e entendia-me melhor ainda. Talvez muito melhor do que eu a ele. Ensinou-me e demonstrou entender o sentimento de perda que me acompanha - porque o mundo inteiro já não me basta para me compensar daquilo que me tirou. O Johnny ensinou-me que 'ali', eu estava em família! " O que é que tu queres melhor, miúda?!" A intensidade do que me disse foi de tal ordem que me deixei parar uns passos atrás dele. Confirmei-lhe que tinha razão.
A vida ensina-nos que nada é para sempre e que um dia se vai alterar mas naquele instante, quis que nada mudasse!
Por sua causa e pela nossa última conversa de fim de dia, 'agarrei' só para mim um dos melhores pôr-do-sol dos últimos anos. Ele seguiu o seu destino e eu o meu - percorri uns bons quilómetros mas tirei fotografias fantásticas e fui re-descobrir a minha querida praia Formosa onde cresci e onde aprendi a nadar. Trouxe uma sensação de 'vida boa' dentro de mim! Mesmo com outro professor na hora da aula, esse dia foi muito bom! Depois de tudo fiquei ainda mais feliz por ter lá estado alguém a registar o momento. O que eu me diverti :-)
Obrigada Johnny!
Gosti - nunca pronunciei a palavra mas disse-to muita vez em atitudes e energias.
Abraço - como lamento agora só ter existido semi-abraços - só percebi isso quando a 'nossa' família me abraçou com a dor de já não existires da mesma forma.
Beijinhos - na próxima vez que voltar a entrar no mar, vou lembrar-me de ti! E na outra, e na outra... e enquanto a minha memória permitir.
No último dia em que fui ao surf e estivemos juntos chegou na carrinha da 3S e logo de seguida ouvi: "Aldinha... atão?! Tás bem, miúda?!" Achei-o tenso... perguntei-lhe se já era de novo Papá e respondeu um "ainda não" preocupado. Talvez fosse só impressão minha...
Lamento tanto não ter "estado bem" naquele último dia e não ter conseguido fazer nada de jeito naquela aula... mais uma vez ele me leu o pensamento e me fez a descrição do meu 'eu' daquele dia.
Confesso agora que naquela aula chorei dentro de água, confesso que estava tão mal que olhei o céu e chamei pela minha mãe em pensamento - claro que não foi para me ajudar numa simples aula de surf - mas sim para me ajudar com a minha 'outra família' porque há dias em que já não sei como hei-de fazer. O Johnny não sabia de nada mas tinha percebido tudo em mim. Por isso digo que ele era mesmo 'iluminado'.
* * *
Doeu muito quando um amigo me ligou perto da meia noite a dar a notícia. Fiquei incrédula.! Fiquei de novo muito zangada com a vida! Chorei de tristeza mas também de raiva - como é que era possível? O Johnny!? Depois de tudo o que tinha atravessado! Dois dias depois de voltar a ser pai...
O Johnny merecia realmente o melhor da vida!
Espero de verdade, que os teus meninos tenham a tua força, determinação e resistência. Espero sinceramente que o teu amor-mulher encontre todos os dias a valentia para se conseguir fazer valer por ti e por ela e, para ela! Só dessa forma conseguirá cumprir a 'missão' que a vida vos deu.
Espero de verdade, que todos os que mais amas encontrem 'novas ondas' onde possas estar por perto, que consigam entender todos os teus sinais, a tua nova energia e seguirem um dia atrás do outro até à maior longevidade possível.
No imediato atravessa-se com valentia, depois sobrevive-se à espera de um simples sinal e mais à frente, vencem apenas os fortes de espírito - como tu, Johnny!
Parece-me que o J.M. também é como tu - a avaliar pelo que vi, imagino o teu orgulho!
Nunca tinha visto homenagem tão impressionante... primeiro fugiram-me as palavras... depois, fiquei 'muito bem' por voltar a estar com a 'família' que me indicaste. E agora... tanto mais fica por dizer mesmo depois de tantas e tantas palavras que descrevem tão pouco. Decerto outros amigos descreveriam 'a tua mudança' de uma forma mais próxima e mais bonita mas 'contigo', optei por atravessar da maneira mais amena possível para não ficar com mais uma gigantesca dor na alma e na memória. Para mim, vais estar sempre 'ali', na tua praia, na tua cadeira a olhar o mar... em cada banho de qualquer mar que me apeteça, em cada onda que eu consiga fazer... porque depois daquela especial e sentida homenagem do 'toda a tua família', o mar agora, também é mesmo todo teu!
Faz hoje um mês... quer dizer, ontem (são 4 am.).
Não Johnny, não te zangues comigo de novo por ainda não ter voltado ao surf... ainda não... conheces-me e sabes porquê! Estou apenas dentro do meu casulo a 'reconstruir-me' de novo. Há fases em que preciso 'sentir' primeiro para 'seguir' depois.
Tenho a certeza de que me entendes desta vez...
Imagina o trabalho que daria agora para voltarmos a fazer as pazes :-)
Por tua causa voltaram a chamar-me Aldinha... tal como todos o faziam quando era miúda... tu, fazia-lo das duas maneiras (Aldinha e miúda) e como me sabia bem... e como ainda me sabe bem!
Fico 'aqui' à espera das tuas nuvens pintadas de arco-íris.
Desejo que estejas 'aí' ou 'por aí' a amparar os que mais precisam da tua boa onda e da tua voz poderosa...
Fica bem Johnny
Obrigada 3S, obrigada a quem me 'apresentou' esta família ;-) e a todos quantos passaram a pertencer aos 'habitantes do meu coração' por tudo o que me têm dado nestes últimos anos; a todos os amigos que têm entrado na minha vida - aos recentes também e que chegaram por tua causa - a todos quanto se prontificaram a facultar-me imagens para criar esta singela e particular homenagem. Já a tinha começado quando 'mudaste de sítio' e nunca mais terminei... calhou hoje. Não fui à tua missa mas inventei o 'sermão' que sentia estar em falta dentro de mim.
Não sei se tudo isto que sinto é lamechas ou piroso mas, apesar de saber que o mundo é maravilhoso e bárbaro ao mesmo tempo, há histórias de vida como a do Johnny que me fazem continuar a querer 'coleccionar amigos' , não desistir de gostar das pessoas e achar que vale a pena continuar a procurar pelas 'melhores ondas da vida'. Tal como é possível ver 'uma nuvem do arco-íris' também sei que existe um 'sol de ouro' por detrás de cada mar de prata. Só não é possível tê-lo em todos os dias. Somos muitos e temos que o saber partilhar...
Até logo Johnny 03.09.2011
Tenho a certeza de que me entendes desta vez...
Imagina o trabalho que daria agora para voltarmos a fazer as pazes :-)
Por tua causa voltaram a chamar-me Aldinha... tal como todos o faziam quando era miúda... tu, fazia-lo das duas maneiras (Aldinha e miúda) e como me sabia bem... e como ainda me sabe bem!
Fico 'aqui' à espera das tuas nuvens pintadas de arco-íris.
Desejo que estejas 'aí' ou 'por aí' a amparar os que mais precisam da tua boa onda e da tua voz poderosa...
Fica bem Johnny
Uma das tuas amigas da família 'ensinou-me o caminho' deste video e achei-o perfeito para ti: mar e estrelas.
Obrigada 3S, obrigada a quem me 'apresentou' esta família ;-) e a todos quantos passaram a pertencer aos 'habitantes do meu coração' por tudo o que me têm dado nestes últimos anos; a todos os amigos que têm entrado na minha vida - aos recentes também e que chegaram por tua causa - a todos quanto se prontificaram a facultar-me imagens para criar esta singela e particular homenagem. Já a tinha começado quando 'mudaste de sítio' e nunca mais terminei... calhou hoje. Não fui à tua missa mas inventei o 'sermão' que sentia estar em falta dentro de mim.
Não sei se tudo isto que sinto é lamechas ou piroso mas, apesar de saber que o mundo é maravilhoso e bárbaro ao mesmo tempo, há histórias de vida como a do Johnny que me fazem continuar a querer 'coleccionar amigos' , não desistir de gostar das pessoas e achar que vale a pena continuar a procurar pelas 'melhores ondas da vida'. Tal como é possível ver 'uma nuvem do arco-íris' também sei que existe um 'sol de ouro' por detrás de cada mar de prata. Só não é possível tê-lo em todos os dias. Somos muitos e temos que o saber partilhar...
Até logo Johnny 03.09.2011
!? Por aí ?!
a brincar...
!? Há fases da vida em que somos apenas as calças à espera de que os nossos suspensórios nos aguentem o peso.
!? Quando o pousar de uma mosca abre uma cratera na casca do 'caracol' significa... que tens de mudar de 'casa'.
!? Há relações em que o amor é como um pão-de-ló: misturam-se ingredientes, eleva-se a temperatura, cresce e, come-se avidamente até não sobrar uma única migalha...
e agora a sério...
!? A liberdade não se conquista pela fuga.
!? Há mais conteúdo no silêncio do que em ouvir apenas o barulho do nada.
!? Esperar para sempre no 'mesmo sítio' indica o caminho mais fácil... e com menos sentido.
Just a quick note to you, you and you:
In a couple of days I'll put this in Alda's translator ;-)
However, if you want to try to translate for me... be my guests. After all... if I've learnt so much with you, you can also learn a little Portuguese with me :-)
Cheers
!? Há fases da vida em que somos apenas as calças à espera de que os nossos suspensórios nos aguentem o peso.
!? Quando o pousar de uma mosca abre uma cratera na casca do 'caracol' significa... que tens de mudar de 'casa'.
!? Há relações em que o amor é como um pão-de-ló: misturam-se ingredientes, eleva-se a temperatura, cresce e, come-se avidamente até não sobrar uma única migalha...
e agora a sério...
!? A liberdade não se conquista pela fuga.
!? Há mais conteúdo no silêncio do que em ouvir apenas o barulho do nada.
!? Esperar para sempre no 'mesmo sítio' indica o caminho mais fácil... e com menos sentido.
Just a quick note to you, you and you:
In a couple of days I'll put this in Alda's translator ;-)
However, if you want to try to translate for me... be my guests. After all... if I've learnt so much with you, you can also learn a little Portuguese with me :-)
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